Como juntar dinheiro para realizar sonhos de consumo

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Foto: Brigitte Sporrer/cultura/Corbis

Juntar dinheiro é uma questão de disciplina. Mesmo que você não tenha um plano definido para ele, economizar e conseguir o famoso pé de meia é uma medida essencial para quem quer garantir um futuro sem grandes sustos. Afinal de contas, não sabemos o dia de amanhã. Você pode perder o emprego ou se deparar com aquela oportunidade de dar entrada no carro ou na casa dos seus sonhos.

Mas o que dificulta o ato de juntar dinheiro é aquele conceito falido de que dinheiro foi feito apenas para gastar. Silvia Alambert, educadora financeira da "The Money Camp" (), programa de educação financeira, diz que a grande maioria das pessoas tem por hábito primeiro gastar e depois ver se sobra algo para guardar.

"Além disso, inconscientemente, a questão do ‘status’ exerce uma forte pressão psicológica sobre os indivíduos e influencia o consumo de forma competitiva e, portanto, negativa, criando um sentimento de que guardar dinheiro parece ser uma obrigação sem sentido. A maioria das pessoas vive apenas o aqui e o agora", acrescenta.

Diante desses fatores, nos colocamos sob pressão e fazemos um autojulgamento, comum e inconscientemente negativo com relação às nossas finanças, no desejo de sempre ter que comprar mais e mais coisas. Damos desculpinhas para suprir nossos desejos imediatos e nos tornamos os próprios vilões das nossas economias.

Em meio a um mundo repleto de conceitos consumistas, investimos nossa energia adquirindo coisas que só fazem sentido para quem realmente necessita. "Que tipo de pessoa realmente necessita de celulares com tecnologia de última geração? Por que queremos comprar roupas e usar acessórios de marcas descoladas? Provavelmente sempre iremos achar uma desculpa que se encaixe perfeitamente com o nosso desejo de ter tais coisas, fazendo com que se transformem em uma necessidade", explica Silvia.

A dificuldade que o ser humano tem de enxergar além do horizonte é explicado por T. Harv Eker, no livro "Os Segredos da Mente Milionária" (editora Sextante). Segundo Silvia o autor diz que a maioria das pessoas trabalha e pensa num plano superficial da vida, baseada somente no que vê. Vive estritamente no mundo visível. Assim, dificilmente entenderá que seus hábitos financeiros podem não ser nem saudáveis e nem sustentáveis ao longo da vida. Parecer ser não é ser.

Portanto, observar os próprios hábitos e comportamentos com o dinheiro pode servir como uma bússola sobre a forma como o próprio dinheiro é administrado hoje e o que restará para o futuro. "Se alguém deseja construir uma vida financeira sustentável é preciso começar enquanto ainda é jovem, logo no início da carreira. Quanto mais o tempo passa, mais distante e difícil fica alcançar a liberdade financeira", diz a educadora financeira.

Ah, e a especialista põe um ponto final numa discussão: não tem essa de a mulher ter mais dificuldade em guardar dinheiro do que os homens. A questão é que elas têm pequenos gastos, mas em maior quantidade de itens e eles, normalmente, têm grandes gastos em menor quantidade de itens. "Isto significa apenas que, enquanto mulheres gastam seu dinheiro com cremes, cosméticos, salões de beleza, manicure, roupas e sapatos, os homens gastam em carros e tecnologia", esclarece.

Os vilões da saúde financeira

Os pequenos gastos da mulher são justamente os vilões que a atrapalham na hora de guardar dinheiro. Silvia Alembert os explica melhor:

1- Sapatos, roupas, acessórios... Investir na imagem pessoal é positivo e pode impactar quem vê, mas isso não significa exatamente retorno financeiro. Gastar grandes quantidades de dinheiro todos os meses com esses itens só faz com que se acumule coisas que não agrega valor financeiro algum.2- Maquiagens e cremes. Sentir-se bela faz bem, mas para isso não é necessário ter um arsenal de guerra no armário do banheiro. Uma boa maquiagem de marca confiável e de qualidade, bem como um creme adequado à necessidade de cada pele, deveria ser o suficiente para que as pessoas se sentissem bem. A autoconfiança vem de dentro para fora. Se for preciso gastar rios de dinheiro com esses itens é melhor observar de onde vem a insatisfação com a própria imagem.3- Aparato tecnológico. Há quem sinta a necessidade de estar conectada ao mundo por todos os artefatos tecnológicos que são lançados, quando não sabe utilizar nem os recursos básicos de um bom celular com praticamente as mesmas funções. A não ser que todos esses aparelhos ajudem a fazer mais dinheiro, ter essas coisas significa apenas colocar dinheiro bom em coisa que não terá funcionalidade. Isso, com certeza, não se chama investimento.4- Academia. Como já dizia um amigo, médico cardiologista, "Caminhe. Os romanos construíram um grande império, caminhando". A frase pode parecer ser um exagero, mas quantos de nós pagamos por pacotes trimestrais ou semestrais de academias e só aparecemos para não ficar com aquele sentimento de culpa de ter gasto dinheiro à toa? Se essa não é a sua praia, não force e não desperdice dinheiro bom em algo que não irá lhe trazer retorno algum. Busque alternativas para você e invista esse dinheiro para um projeto de vida maior no futuro.

Por Juliana Falcão (MBPress)

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