Como guardar dinheiro para ter filhos?

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Foto: Corbis

É preciso estar financeiramente preparado para ter filhos. São gastos com fraldas, carrinho, cadeirinha, roupas, brinquedos, mensalidade da creche, escolinha... Quem não fizer uma boa reserva antes da chegada da cegonha é capaz de perder o sono.

E de acordo com uma pesquisa feira pelo jornal "Sun on Sunday" este é um dos motivos pelos quais os casais ingleses têm adiado cada vez mais o projeto de ter filhos. O medo de custos com creches, comida extra, escola e até mesmo com a casa intimidam os pais que não estão com a conta bancária abastada a aumentar a família.


Do total dos casais entrevistados com idades entre 25 e 39 anos, 16% gostariam de ter filhos no próximo ano, mas abandonaram a ideia por não poderem arcar com as despesas. E 9% adiaram o sonho de aumentar a família até que as finanças estejam estáveis.

Para quem deseja guardar dinheiro para tirar esse plano do campo das ideias, o educador financeiro Mauro Calil diz que a primeira coisa a ser feita é guardar 10% da renda total em uma poupança ou em LCI (Letra de Crédito Imobiliário), uma alternativa para quem quer correr poucos riscos.

"Caso a pessoa tenha dois ou três anos para se programar dá para formar muita poupança. E nesse período é preciso ter foco e abdicar de prazeres momentâneos para que se tenha um prazer maior e duradouro meses adiante", orienta.

Calil pensa que se a pessoa não focar nesse objetivo, vai acabar gastando o dinheiro do bem-estar de seu bebê comprando um sofá ou uma TV nova, quando, na verdade, deveria comprar uma cadeirinha ou um carrinho. "Ou seja, dentro do objetivo há flexibilidade, mas seja inflexível fora dele."

Sinara Polycarpo, superintendente de investimentos do Banco Santander, fez duas simulações, ambas com aplicações em poupança. Se a mulher deseja fazer uma produção independente daqui a dois anos e ganha R$ 3 mil por mês, poupando R$ 300 (10% do salário) em uma poupança com rendimento de 0,55% ao mês ao final de 24 meses ela terá juntado R$ 7.674,00.

Agora se é um casal que pretende ter um filho daqui a um ano e meio, ela ganha R$ 1.500 e o marido, R$ 2.500, totalizando R$ 4 mil, depositando R$ 400 (10% do salário) numa poupança com o mesmo rendimento, ao final de 18 meses terão R$ 7.746,00 de saldo. "A poupança acaba sendo a melhor opção porque, nos dois casos, a pessoa não pode correr risco", comenta Sinara.

Caso a mãe ou o casal já tenham uma poupança com esse montante, uma dica da superintendente de investimentos é fazer um CDB. "Aqui no banco este programa rende mais do que a poupança, mas a pessoa teria que poupar por três anos, de forma que o investimento do cliente tenha um melhor rendimento. Em ambos os casos, o saldo ultrapassaria os R$ 10 mil."

Além da poupança outros recursos podem ser adotados, pensando no futuro do herdeiro. Mauro Calil sugere um seguro saúde. "Os gastos com possíveis acidentes domésticos podem ser enormes. Assim aumenta-se a conta do seguro ou plano de saúde, para que não se tenha surpresas descobertas", orienta.

Para a mulher que fará uma produção independente Sinara sugere um plano de previdência para a criança. Esse valor pode ser usado para pagar a faculdade do filho, por exemplo. Outra opção é contratar uma previdência que funcione como seguro de vida. Caso a mãe venha faltar, a criança ou o tutor recebe um dinheiro.

"A gente sabe que planos de previdência são caros e tem altas taxas, mas ela traz uma série de benefícios que merecem ser avaliados. A mãe que é sozinha precisa dar alguma proteção para o filho", comenta.

A superintendente de investimentos conta que a contratação de um seguro de vida ainda é tabu. Isso porque o brasileiro de uma não tem a cultura de se proteger, vê planos de seguro como gasto e não algo benéfico.

"Há casos em que o filho vive de mesada e da noite para o dia começa a fazer estágio e ganhar seu próprio dinheiro. Custa guardar 10% do salário para colocar numa poupança ou num plano de previdência, em vez de gastar tudo de uma vez? Cultura financeira é fundamental para quem quer pensar no futuro. Primeiro você poupa, depois você gasta", afirma Sinara.

Por Juliana Falcão (MBPress)

* Seviço: Educador financeiro Mauro Calil

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