Como fazer para comprar menos?

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Foto: Emely/cultura/Corbis

Sim, dá para mudar o quadro de consumir compulsivamente, seja em qual for o grau de compulsão e resultado - mas implica em vontade e determinação não só para evitar abrir a carteira ou passar o cartão de crédito. Recebo muitas perguntas sobre como fazer para comprar menos, como não sofrer com a vontade de consumir todas as novidades das vitrines, e ainda no segundo semestre do ano como resistir a tanto apelo para comprar e ser feliz tanto neste ano quanto no vindouro. Dá para resistir? Sim, mas é preciso prestar atenção em alguns conceitos que vão te ajudar a comprar menos e "curar" este mal que assola as contas correntes.

Será que sou compulsivo em compras?

Para saber se você está numa compulsão basta verificar o quanto gastou com itens que não eram necessários, porém foram adquiridos não pelo que são, mas pelo que representam. Um bom exemplo é quando a pessoa compra um produto - uma bolsa, como exemplo - não pelo bem em si, mas como forma de premiação pessoal, compensação tanto por algo bom ou ruim: a bolsa adquirida para comemorar uma conquista, ou ainda para compensar uma perda afetiva. Tanto faz uma causa quanto a outra, porque o que motivou a compra não foi a beleza ou utilidade da bolsa, mas o que ela representa emocionalmente - algo que dificilmente será compensado com um objeto. Se isso acontece rotineiramente na sua vida, é sinal de atenção.

Comprar compulsivamente é sair comprando sem parar?

Nem sempre; há quem imagine cenas como nos filmes onde o personagem sai carregando sacolas e mais sacolas sem qualquer critério - isso é uma imagem mais fantasiosa que real. Quando a pessoa sente um vazio por não ter comprado alguma coisa, de tal forma que gera frustração, mal estar físico e ainda ansiedade e angústia pode-se dizer que há sim um componente descontrolado até por não ter "comprado", pois a compulsão por compras, ou por qualquer outra coisa, é um sinal de desequilíbrio. Ou seja, algo vai errado.

Vale controlar a compulsão evitando situações que motivem compras?

Sem dúvida que sim, mas é como tirar uma pessoa viciada do mundo para evitar que tenha contato com o que possa estimular o vício. Enquanto ela está ausente do cenário viciante - um centro de compras, por exemplo - ela resiste melhor ao impulso; no entanto lembro que o equilíbrio emocional é a única solução capaz de trazer força para resistir a um comportamento viciante. Vale sim evitar locais que estimulem compras, vale evitar levar o cartão na bolsa, mas só isso não basta. É preciso usar de racionalidade para entender o processo, o que pode certamente incluir uma ajuda psicológica.

Fazer orçamento ajuda?

Muito, porque quando temos por escrito seja no papel, na planilha do computador, num aplicativo de celular o que temos orçado para nossas despesas mensais, temos um freio automático que "esfria" o calor da compra sem critério. Crie o hábito de manter seu orçamento com você num lugar de fácil acesso para lembrar do que planejou fazer com seu dinheiro - e verá que a compra descontrolada poderá interferir no que foi designado de forma racional para sua economia.

Pedir ajuda a outros é uma boa?

Sim, até porque você irá se surpreender com o volume incrível de gente que também sofre com a vontade desmedida de comprar algo sem pensar direito. Compartilhe sua condição para que seus amigos possam aconselhar você a usar melhor a racionalidade no que diz respeito ao seu dinheiro. No calor de uma compra por vezes arriscada, um ombro amigo pode esclarecer melhor a você o que isso pode causar não só no seu bolso como também no seu bem estar, pois uma dívida pode mesmo tirar sua paz - algo que nenhum dinheiro no mundo pode comprar!


Suyen Miranda é publicitária e consultora de finanças pessoais, atuando no Brasil, Mercosul, Portugal e Angola. Já foi consumidora compulsiva voraz e tornou-se poupadora e empreendedora, e acredita que toda mulher pode e deve ser autônoma e independente financeiramente. suyen@suyenmiranda.com.br

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