Como escolher o melhor plano de previdência privada?

Previdência privada dicas para escolher

A procura por planos de previdência privada vêm crescendo no Brasil. No primeiro trimestre deste ano, houve um aumento de 26% no número de brasileiros que investiram nos planos, comparado ao mesmo período de 2011. Sem dúvida é a saída para quem deseja assegurar um salário extra no futuro.

Muitos não sabem, mas a previdência privada é uma aposentadoria complementar, indicada para quem tem receitas superiores ao que a Previdência Social (INSS - Instituto Nacional da Seguridade Social) paga ao aposentado. "É uma poupança feita a longo prazo com o objetivo principal de garantir recursos financeiros na sua aposentadoria", explica Edward Cláudio Junior, educador financeiro da DSOP Educação Financeira.

O educador financeiro informa que existem diferenças entre os planos de previdência fechados e abertos. "Os fechados são disponibilizados aos profissionais ligados a empresas, sindicatos ou entidades de classe", diz ele. Neste caso, a pessoa contribui com uma parte e a empresa também participa com um valor.

"Geralmente a participação é de 1 para 1, ou seja, para cada real depositado pelo funcionário a empresa entra com a mesma quantia", explica. "Já os planos de previdência aberta são ofertados por bancos ou seguradoras para qualquer pessoa e os aportes são realizados somente pela própria pessoa", completa.

Segundo Edward, as duas principais taxas na previdência são:

Taxa de carregamento: é cobrada sobre cada contribuição realizada (aporte). Por exemplo, se a taxa de carregamento for de 2%, a cada R$ 100,00 aplicados R$ 98,00 serão depositados e a diferença, R$ 2,00, fica com o gestor.

Taxa de administração: é cobrada anualmente pelo administrador do Fundo de Previdência para remunerar a gestão do dinheiro, sobre os recursos aplicados, inclusive os rendimentos.

Ambas as taxas podem reduzir e muito a rentabilidade do Plano de Previdência. "O cliente deve ficar atento a elas, pois quanto menores melhor a possibilidade de maior rentabilidade na aplicação", garante Junior.

Além disso, ele afirma que o cliente deve verificar periodicamente as suas aplicações na previdência, pois os bons desempenhos e resultados alcançados pelo fundo no passado não garantem os mesmos índices no futuro. E isto pode comprometer os objetivos financeiros a serem alcançados.

"O cliente deve atualizar o valor dos aportes anualmente para, no mínimo, acompanhar os índices de inflação e manter o poder de compra do seu investimento", diz o educador. "Atrele este investimento a um grande sonho que você queira realizar no futuro para não cair na tentação de parar no meio do caminho", completa.

Existem dois tipos de planos: o PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre) e o VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre). "O PGBL é mais vantajoso para as pessoas que fazem a declaração do Imposto de Renda através do formulário completo, no ajuste anual, podendo ser abatido em até 12% da renda anual bruta do Imposto de Renda", orienta o educador financeiro.

Outra vantagem destacada por Edward é a possibilidade de optar, na adesão, pela idade que os rendimentos investidos serão recebidos. A renda poderá ser recebida em uma única parcela ou em quantias mensais. "Existe a possibilidade de realizar aportes variáveis, quando houver recursos para tal".

Contudo, uma desvantagem do PGBL está na necessidade de retirar o dinheiro antes do prazo, quando a incidência do Imposto de Renda será muito alta, pois a alíquota do IR dependerá do prazo de permanência do investimento. "Por exemplo, se a retirada ocorrer antes de dois anos, a alíquota será de 35% sobre o total aplicado, caindo em cinco pontos percentuais a cada dois anos, chegando a alíquota mínima de 10% após 10 anos", esclarece.

O VGBL é apropriado para as pessoas que não tem renda tributável ou fazem a Declaração de Ajuste Anual no modelo simplificado. "No resgate do VGBL a incidência do IR ocorre somente nos rendimentos da aplicação e não sobre o total da aplicação como o PGBL. E, assim como no PGBL, não existe uma garantia de rentabilidade mínima" informa Junior.

Edward ainda destaca que existem critérios que regem a escolha da pessoa por um plano de previdência privada: "Ela precisa ter em mente o ano em que deseja desfrutar o benefício e também o valor do benefício que atenderá às suas necessidades de uma aposentadoria sustentável e, consequentemente, qual valor mensal terá disponível, dentro do seu orçamento, que permita atingir seus objetivos financeiros no futuro".

Para clientes com planos antigos, existe a possibilidade de mudar para a categoria com custos baixos. Basta fazer a portabilidade para outro banco ou seguradora, aproveitando melhores taxas de carregamento e de administração, porém mantendo o mesmo tipo de Plano: PGBL ou VGBL.

Veja outras dicas para escolher seu plano de previdência privada selecionadas por Edward Cláudio Junior:


- Se optar por um produto de seguradora, verifique se a mesma está cadastrada na SUSEP (Superintendência de Seguros Privados), órgão que regula o mercado;

- Projete-se nos próximos anos. Você será um contribuinte que fará a Declaração de IR de Ajuste Anual, no modelo completo ou simplificado, aproveitando a melhor forma de tributação entre PGBL e VGBL;

- Tenha certeza de que este dinheiro só será utilizado no longo prazo (acima de 10 anos), pois a tributação do IR será menor que aumentará a rentabilidade da aplicação.

Por Stefane Braga (MBPress)

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