Como escapar da crise

Como escapar da crise

Toda semana, ela fazia as unhas no salão de beleza. Pagava mensalidade na academia popular, aquela que quase todo mundo freqüenta. Não saia de casa sem voltar com uma sacola e, quando os amigos convidavam, não perdia uma festa ou viagem.

Mas aí, a crise bateu e na empresa onde ela trabalhava, todos os salários foram renegociados - e alguns colegas demitidos, no final do ano. Como o aluguel continuava o mesmo preço, assim como a prestação do carro e o plano de saúde, o jeito foi a catarinense Suzi Rigoto, 27 anos, botar no papel as prioridades para se reorganizar financeiramente - e honrar tudo que deve.

No primeiro mês de aperto ela apelou para o cartão de crédito. “Não tinha como pagar as coisas básicas e nem comprar presentes de Natal. A salvação do meu final de ano foi o cartão”, lembra. Em janeiro e fevereiro ela conseguiu pagar apenas o mínimo cobrado pela administradora do cartão, mas em março, acha que vai conseguir saldar toda a dívida. Suzi preferiu o cartão ao cheque por comodidade. “Nem sabia se o juro do meu banco era menor. Mas tinha pânico de ficar no vermelho, de receber ligações da minha gerente”.

Ela conseguiu recuperar um pouco da saúde financeira fazendo pequenos cortes. A manicure agora, só em ocasiões especiais. Faz a unha em casa, com apetrechos que achou numa loja de cosméticos. Trocou a academia badalada pela sala de ginástica do prédio onde mora e, tenta controlar o impulso consumista.

Roteirista, não saía de uma livraria sem pelo menos dois volumes novos. “Agora, leio livros antigos, ainda não lidos, ou pego emprestado de quem tem”, conta.

Suzi mora em São Paulo, mas tem família em Santa Catarina. Diminuiu as visitas e, quando vai para o Sul, sempre pesquisa qual a companhia de ônibus está mais barata ou tem promoção. “Na última vez que fui, economizei quase R$ 100 em passagem”, comemora.

Não é fácil ficar controlando gasto, mas Suzi aprendeu bem a priorizar as necessidades básicas, sem claro deixar de lado os mimos que adora. “O cabelo não deixei de fazer. Afinal, aparência conta no mercado de trabalho e não posso sair por aí com a raiz enorme e o cabelo com duas cores, né?”. Claro Suzi. E quem disse que cabeleireiro não é prioridade?

Por Sabrina Passos (MBPress)

Comente