Clubes de investimento femininos

Clubes de investimento femininos

Foi-se o tempo em que o mercado financeiro de risco era dominado pelos investidores masculinos. Sim, as mulheres chegaram à bolsa de valores e gostaram tanto que não desistem nem diante das turbulências econômicas mundiais.

As aplicações de pessoas físicas do sexo feminino representam hoje 22,5% do patrimônio dos fundos da Bolsa de São Paulo (Bovespa). Em 2002, o índice não passava de 17%. Muitas fazem parte dos cada vez mais populares clubes de investimento femininos, voltados exclusivamente para as investidoras.

No Brasil, existem vários deles, como o Meninas com Dinheirama, que em alguns dias deve receber aprovação da Bovespa, e o Mulherinvest, que opera desde 2004. Funcionam com no mínimo três e, no máximo, 150 participantes dos mais diversos perfis: solteiras, casadas, donas-de-casa, executivas, com filhos, sem filhos, de todas as idades, desde a estudante até a aposentada.

Segundo a economista Mariana Prates, do Meninas com Dinheirama, muitas mulheres se sentem intimidadas em falar de investimentos com homens e, assim, começam a participar. “Nossa idéia é mostrar que é simples investir em ações e que com R$ 100,00 já é possível”.

A partir de então, tornam-se arrojadas. “E como! Mulheres são, a princípio, mais avessas ao risco porque não se sentem seguras com suas habilidades matemáticas. Mas na maioria das vezes é apenas uma questão de entender o risco. Quando aplicam o dinheiro na bolsa podem sentir na pele o que é ganhar 40% ou perder 10% num dia. Depois de conhecer o terreno onde pisam, investem tão arrojadamente como qualquer homem”, diz Sandra Blanco, fundadora do Mulherinvest.

Para participar de um clube de investimento feminino, ela ressalta, são necessários dois requisitos básicos: interesse e coragem. “A parte burocrática é preencher um cadastro e o termo de adesão e anexar cópia autenticada do RG, CPF e comprovante de residência recente”.

Mas não se pode confundir: investir na bolsa não significa ganhar dinheiro fácil. “O clube de investimento aplica em ações, ou seja, é um investimento de alto risco. Não existe fácil ou difícil. Tudo depende do tempo de aplicação, da qualidade das empresas escolhidas e a situação da economia”, diz Mariana Prates.

Como pessoas jurídicas, os clubes têm um estatuto social, seguindo as regras estabelecidas pela Bolsa de Valores. O valor a ser aplicado e o valor inicial de cada cota são estabelecidos no estatuto e nenhum membro pode possuir mais de 40% do total das cotas.

Meninas com dinheirama - mariana@dinheirama.com

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Por Adriana Cocco

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