Casa própria - aluguel ou financiamento?

Casa própria  aluguel ou financiamento

Antes de você começar a ler esta matéria vamos fazer um teste. Pense no seu maior sonho. Sim, o seu verdadeiro sonho. Eu lhe digo que, muito provavelmente, você pensou em abandonar o aluguel e morar no que é seu. Ter uma casa é o sonho de 46% da população brasileira, de acordo com a pesquisa realizada pela agência Voltage e pela empresa Bridge Research. No último dia 03 de fevereiro, o Instituto Data Popular divulgou uma pesquisa que dizia: "Nos próximos seis meses, nove milhões de brasileiros darão inicio à compra da casa própria".

Existem, basicamente, três maneiras de comprar uma casa: consórcio, financiamento e à vista. Superficialmente, consórcio é um grupo de pessoas que se unem para comprar algo, com prazos e parcelas pré-definidas. Além disso, é paga uma quantia para a administração do consórcio. Já o financiamento é um empréstimo junto ao banco e, neste caso, há necessidade de uma entrada de 20% do valor do imóvel e à vista, bem, é à vista, pagar tudo de uma vez, ou seja, o desejo de muita gente!

O consultor financeiro Reinaldo Domingos, autor do livro "Terapia Financeira" (Editora Gente, 2007), explica que a melhor forma é sempre o pagamento à vista. Você deve estar se perguntando: como comprar uma imóvel sem fazer dívidas com o salário que eu ganho e, ainda, pagando aluguel? O consultor usa como exemplo uma casa no valor de R$ 100 mil. De acordo com ele, uma pessoa que mora nesta casa paga, todos os meses, cerca de R$ 600 de aluguel. Pois bem, vejamos como seria um consórcio, um financiamento e uma poupança, para compra à vista.

"Um financiamento de R$ 100 mil gera parcelas de, no mínimo, R$ 1.000, que deverão ser pagas durante 360 meses, ou seja, 30 anos. No final deste período, o valor pago será de R$ 360 mil, isto sem contar os reajustes anuais, de 10% a 12%, que fariam este total subir para R$ 372 mil reais. Mais do que o triplo do empréstimo", explica o consultor. No financiamento o contratante deve dispor de 20% do valor do imóvel para dar de entrada. "É importante ressaltar que seis parcelas atrasadas são o suficiente para a perda o imóvel e do dinheiro gasto", afirma Reinaldo.

O consórcio também não é um negócio muito vantajoso. Não há a necessidade de entrada, porém o contratante terá que esperar ser sorteado, ou dar um lance muito alto para ser contemplado e receber a carta de compra. "Quem optar pelo consórcio deverá pagar uma taxa pela administração, além de também haver reajustes anuais. No geral, ao terminar de pagar todas as parcelas, cerca de 10 anos, o contratante pagou na verdade o dobro do valor do imóvel", diz o consultor. Lembrando que por algum período você terá que pagar o aluguel e as parcelas, até ser contemplado.

A dica de Reinaldo Domingos para quem quer comprar à vista é poupar. "Se você é inquilina em um imóvel que vale R$ 100 mil, por exemplo, paga de aluguel cerca de R$ 600 reais. Depositando em uma conta poupança os R$ 400 reais, que é a diferença entre a parcela do financiamento e o aluguel, em pouco mais de 10 anos terá o necessário para comprar a sua casa à vista", explica o consultor. Assumir um compromisso de 30 anos é algo muito arriscado, não sabemos o que pode acontecer no meio do caminho.


"Os brasileiros usam em média de 20% do salário em gastos supérfluos. Colocar na ponta do lápis todos os gastos nos ajuda a descobrir onde estamos errando, a corrigir as falhas e assim poupar ainda mais", revela Reinaldo. "A compra depende da renda. Uma família equilibrada financeiramente, aquela que não gasta mais do que ganha e usa o dinheiro com inteligência, tem mais chances", completa.

Por Bianca Souza (MBPress)

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