Carro financiado - não caia em armadilhas

Carro financiado  não caia em armadilhas

Primeiro vem a alegria, com a chegada do carro novo. Depois de alguns meses, o incômodo, quando se percebe que a dívida está comprometendo o orçamento. Ao primeiro atraso, muitas pessoas se desesperam por não saber como solucionar o problema. Mas o que fazer quando não se consegue arcar com as parcelas do carro financiado? Afinal, qual a melhor medida a ser tomada?

Segundo o educador financeiro Reinaldo Domingos, o primeiro passo é fazer um diagnóstico financeiro. A redução de pequenos gastos diários muitas vezes pode resultar no valor que falta para pagar as prestações. Mas, se você já tentou isso e, mesmo assim a economia não foi suficiente, outras atitudes devem ser tomadas o mais rápido possível.

“Sempre o caminho administrativo é o primeiro a ser tomado”, explica Reinaldo. Ou seja, tentar renegociar a dívida com a financeira é a melhor opção. É importante que essa renegociação seja feita com todo cuidado, pois é importante você saber se o valor acordado caberá mesmo no orçamento mensal. “Nunca faça acordos sem poder bancar o valor renegociado”, completa.

O mais doído para quem adquiriu um novo veículo - e que fez dessa compra a realização de um sonho -, é devolvê-lo por impossibilidade de pagar as prestações. Mas é importante saber que é melhor adiar mais um pouco o sonho do carro zero do que se afundar em dívidas e ver cada vez mais distante a possibilidade de financiar qualquer outra coisa.

Reinaldo ressalta que é aconselhável tomar uma atitude com relação à dificuldade de pagamento sempre 60 dias após o primeiro atraso para que o problema não se torne uma bola de neve.

Os dados do Banco Central são assustadores, de acordo com Reinaldo. A inadimplência no financiamento de veículos por pessoas físicas atingiu 5,5% em junho deste ano, o maior nível da série histórica, iniciada em junho de 2000. Isso significa que cada vez mais as pessoas fazem dívidas e não podem arcar com seus compromissos.

Para o educador, o crédito facilitado é o grande protagonista desse problema. “Também coloco como um dos grandes responsáveis o marketing publicitário, que faz o consumidor sonhar com algo que não necessita realmente e comprar com dinheiro que não possui”. A falta de educação financeira do povo brasileiro de uma forma em geral também é um dos agravantes.


Para não cair na armadilha de financiar mais do que pode pagar, Reinaldo dá algumas dicas. Primeiro, faça um bom diagnóstico para saber para onde está indo o seu salário e, depois, reduza gastos supérfluos. O segundo passo é traçar os objetivos de curto médio e longo prazo, sempre priorizando o que é mais importante. Depois, é só orçar e projetar os próximos 12 meses para então poupar e conseguir realizar os planos futuros. Não é nada fácil. Mas o que vale, mesmo, é planejar e não desistir do sonho sobre rodas.

Por Talita Boros (MBPress)

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