Bolsa de Valores - o barato pode ser um péssimo negócio

O barato muitas vezes sai caro. Muitas vezes já ouvimos essa expressão, não é mesmo? E ela se aplica a qualquer tipo de consumo. Até mesmo investir na bolsa de valores requer mais do que uma avaliação de custo e benefício.

Em artigo, a economista Flávia Possas, que é especialista em Finanças Comportamentais, explica que normalmente o processo de compra envolve de um lado o gasto que aquele produto ou serviço representou (e todas as compras potenciais presentes e futuras que você deixará de fazer com esse dinheiro); e do outro está a questão das vantagens, do bem-estar e da alegria que aquilo irá proporcionar.

Porém, à princípio, se na hora de consumir os dois lados apresentados forem comparados e, ainda assim, valer a pena realizar a compra, ótimo. O problema, diz a economista, é que existe mais um aspecto que nos influencia na hora de comprar: preocupamo-nos também em fazer um "bom negócio".

Não basta querer, precisar, ser útil e economicamente viável, tem que ser vantajoso em outros aspectos. A satisfação de conseguir algo numa promoção imperdível, obter o último ítem à espera de um comprador ou qualquer outra forma de barganhar pode levar ao consumismo desenfreado.

"O que não percebemos é que frequentemente compramos certas coisas motivados unicamente pelo preço atraente, e não pensamos se realmente precisamos desses produtos ou se eles não seriam, de fato, completamente dispensáveis", alerta a especialista.


Portanto, em muitas situações, a liquidação e os descontos fenomenais podem se transformar em um desperdício de dinheiro. Apenas é recomendável comprar nessas condições se o produto ou o serviço for realmente algo que será bem usado.

E no mercado de ações a regra de avaliar se é mesmo algo que tem um propósito e utilidade também é válida. "Isso seria equivalente a comprar o papel de uma empresa só porque o preço está baixo, sem basear-se em algum tipo de análise que indique que a ação realmente está subvalorizada e que seu preço deverá subir", conclui.

Por Lívany Salles

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