Artista plástica viajou de graça por mais de 10 países

Viajar de graça

Aline Campbell pedindo carona para a cidade de Valparaíso, no Chile. Foto: Reprodução/ Open Doors

A economia na hora de viajar é algo que todos nós procuramos, mas quem é que tem esse segredo milagroso? Com certeza, você nunca pensou em sair sem dinheiro algum, sem qualquer plano de pegar um ônibus de viagem, avião ou trem. Será que essa experiência não seria super interessante? Quem fez afirma que não é tão ruim quanto pensamos à primeira vista.

Esse é o caso da artista plástica Aline Campbell, de 24 anos, que passou três meses viajando sem dinheiro pela Europa, exceto as passagens de ida e volta. Ela passou por Holanda, Bélgica, Alemanha, França, Inglaterra, Croácia, Sérvia, Eslováquia, Hungria, República Tcheca, Áustria, Itália e Suíça (ufa!) sem, sequer, um cartão de crédito para eventuais emergências e, para espanto geral, se deu super bem.

Essa experiência é parte de seu projeto, Open Doors/Portas Abertas, e ela diz que sua confiança no ser humano foi fundamental. "Eu consegui porque fui acreditando na bondade das pessoas e confiando no desconhecido. Eu fiz a viagem não para provar que é possível viver sem dinheiro, mas para mostrar ao mundo que o mundo não é tão perigoso quanto se pensa e que a gentileza é uma característica natural do ser humano. Acredito muito em energia, e uma vez que você tem consigo pensamentos positivos, o bem é atraído", explica.

Ela conta ainda que, cada vez mais, percebe que as pessoas se equivocam ao julgar os outros, seja como for - principalmente no caso dos caminhoneiros, que as pessoas dificilmente confiam. "O bom está por toda parte, a partir do momento que nele acreditamos. As pessoas são boas, independente da etnia, religião ou classe econômica. Bondade vai muito além disso", acredita ela.

Aline, que planeja uma nova empreitada - dessa vez partindo do Rio de Janeiro rumo ao Nordeste, de carona pela costa -, diz que esse processo de confiança pode ser muito benéfico às pessoas, fazendo com que evoluam junto de cada ser que passa por seu caminho. E conta sua experiência: "Nós aprendemos muito com o outro, uma vez que estamos dispostos a ouvir e entender, sobretudo, sobre uma realidade diferente da nossa".


Mas se você não é tão radical como essa carioca, que tal pesquisar um pouquinho sobre Couch Surfing (serviço de hospitalidade baseado na internet) e se deixar correr mais riscos? Aliás, Aline não acredita que haja perigo, de fato, nesse tipo de experiência: "Eu não acho que eu tenha corrido mais ‘risco’ do que aquele que vai todo o dia para o trabalho, e do trabalho para casa, por exemplo", explica. Além disso, tente pegar uma carona na estrada, ao menos uma vez. Quem sabe você não faz alguns amigos e até arruma algum lugar para dormir?

"Eu garanto que é algo fascinante e positivamente surpreendente. E não tente pensar o oposto, porque sou eu falando. Eu, que já peguei mais de 60 caronas pelo mundo - incluindo Brasil. Eu, que já me hospedei na casa de mais de 50 (até então) desconhecidos... Tudo com 100% de experiências positivas", relata.

Com um currículo tão invejável quanto o dela, é viável dar um voto de confiança e arriscar contatar um "estranho" para passar três, quatro dias em suas casa, não é? E acredite na bondade das pessoas: "O mal pode se fazer presente, verdade, mas ele é tão pequenino que, veja você, eu passei 92 dias sem dinheiro algum, num lugar totalmente novo para mim, e nem sequer fui apresentada a ele", completa a moça. Vale a tentativa.

Por Juliany Bernardo (MBPress)

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