Artesanato - boas ideias, ótimos negócios

Mulheres maravilhosas ideias geniais

Foto: Juliana Falcão

Com o intuito de mostrar como a mistura de talento e criatividade pode fomentar o empreendedorismo feminino, a artista plástica Denise Meneghello passeou por vários ateliês e conversou com mulheres que encontraram no artesanato um modo de gerar renda.

As histórias de 21 profissionais escolhidas a dedo estão reunidas no livro "Mulheres maravilhosas, ideias geniais", lançado pela Companhia Editora Nacional. "Algumas mulheres eu já conhecia, outras eu pesquisei. Foi um trabalho delicioso de fazer. Saber da historia delas, bater um babo gostoso... foi impagável", conta a autora.

Denise recheou o livro de fotos que captam os detalhes de cada atividade. São imagens que mostram o talento e o cuidado com que cada mulher desenvolve seus trabalhos, seja com comida ou objetos de decoração. "Eu quis mostrar que a beleza está em todo lugar, não só nos espaços em si, mas também na forma como a arte é desenvolvida".

Uma das mulheres escolhidas pela artista plástica para ilustrar o livro é Rosely Ferraiol. A bailarina clássica, professora de Educação Física e técnica em ginástica rítmica e desportiva teve um problema de saúde que a impossibilitou de trabalhar. A partir daí sua vida mudou.

Mulheres maravilhosas ideias geniais

Foto: Divulgação

"Perdi tudo. E naquele momento eu tinha duas opções: vitória ou derrota. Resolvi seguir as palavras de Guimarães Rosa, ‘não seja derrotada’, e decidi que dali a um mês minha vida mudaria. Foi aí olhei para o filtro e me apaixonei por ele", conta Rosely. "Mudei meu coração, minha forma de ver a vida."

Assim Rosely começou a brincar com filtros de papel usados. Autodidata, ela mesma criou a técnica e com o tempo foi aprimorando. "Fui experimentando, estragando, criando peças. Foram quase 15 anos de pesquisas", lembra.

Os filtros de papel trabalhados por Rosely podem ser aplicados em luminárias, móveis ou até mesmo numa parede. Pode tomar até chuva depois. "A mídia começou a me chamar para falar sobre a técnica. Com a divulgação minha renda aumentou muito e faço trabalhos dentro e fora do Brasil. Passei a me sustentar com isso", comemora a artista. "Criatividade todo mundo tem, ela só precisa ser manifestada e, para isso, alguém tem que dar uma oportunidade. Por meio de cursos e workshops, eu sou o fósforo que acende essa faísca."

A artista lembra que muitas pessoas a contestaram no começo, alegando que ela estava se encantando por lixo. Mas para ela não era bem assim. "O nosso lixo é rico e o filtro tem uma textura muito boa. Se ele aguenta água fervente, aguenta também cola e tinta, fora as belas nuances que são criadas com o próprio pó de café."


Feliz com seu trabalho, Rosely decidiu que era hora de fazer um trabalho de inclusão social e de sustentabilidade nos presídios. O projeto começou em 2006 e durou até semana passada. "Meu objetivo já foi alcançado. Consegui resgatar a cidadania de muitos homens por meio dos filtros de papel. Agora vou mudar o foco e trabalhar talvez em albergues e ONGs", planeja. "Pessoas com depressão começaram a trabalhar com filtro de papel e me ligaram dizendo que haviam se curado. É terapêutico", afirma.

Por Juliana Falcão (MBPress)

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