Aposentadoria - mulheres cada vez mais preocupadas com o futuro

Aposentadoria  mulheres cada vez mais preocupadas

Culturalmente, assuntos financeiros sempre nortearam o universo masculino, uma vez que eles eram os chefes de família e cuidavam das contas da casa. Porém, com a entrada da mulher no mercado de trabalho, muita coisa mudou. Elas passaram a abrir os jornais e a se interar do assunto, buscando formas interessantes de garantir seu sustento no futuro e, consequentemente, sua independência.

Uma pesquisa encabeçada pela seguradora MetLine no final do ano passado comprova essa mudança. Quase dois terços das mulheres entre 45 e 70 anos temem nunca conseguirem dinheiro suficiente para se aposentar. E mais: apesar de 90% das entrevistadas afirmarem estar confiantes no que diz respeito à administração das finanças pessoais, 62% delas receiam nunca ter dinheiro suficiente para parar de trabalhar. As participantes da pesquisa ganhavam pelo menos US$ 75 mil por ano ou possuíam renda familiar de pelo menos US$ 100 mil por ano.

O Banco de Investimentos Geração Futuro também detectou uma mudança no comportamento das mulheres brasileiras. "De 2006 para cá, houve um aumento do público feminino em nossas palestras. E isso se tornou mais evidente quando passamos a fazer encontros exclusivos para mulheres", conta Paula Castro Pereira, consultora de investimentos da Geração Futuro.

"Temos desde jovens a mulheres de 50, 60 anos em nossos encontros, que querem entender os conceitos, como proceder e definir os melhores investimentos. E como elas se sentiam constrangidas na hora de fazer perguntas no meio dos homens, que culturalmente se interessam mais pelo assunto, o jeito foi criar um momento só para elas", completa.

Paula diz que é muito bom as mulheres mais jovens se interessarem cada vez mais, já que quanto mais cedo elas começarem a poupar, mais retorno terão. "O tempo favorece quem quer poupar dinheiro. Hoje os pais procuram fundos de investimentos até para os filhos recém-nascidos", conta Patrícia.

Até pouco tempo, era comum as mulheres deixarem suas finanças pessoais nas mãos de um homem, seja marido ou irmão. Mas hoje a preocupação delas em tomar as rédeas e se interar do assunto é bem maior. "A maioria delas começa com a poupança, mas quando percebem que não rende muito, partem para planos de previdência, fundos de renda fixa ou de ações, apesar de o risco ser maior".

A consultora explica que hoje há mulheres que arriscam e partem direto para o fundo de ações. "Desde 1994, nós tínhamos uma economia pouquíssimo equilibrada. Não havia ações e os planos de renda fixa eram mais comuns. Mas de lá para cá, com a chegada do Real, tivemos uma estabilidade econômica e os fundos de ações passaram a ser mais procurados, principalmente a partir de 2007", diz Paula. "Porém, os números ainda são baixos. Aqui no Brasil apenas 10% dos investimentos são em ações. Nos Estados Unidos esta média é de 40%".

Paula acredita que esta mudança de comportamento da mulher se deve ao desejo de alcançar a independência financeira. "Elas querem poupar recursos para o futuro. Há casos de mulheres que deixaram as contas a cargo do marido e quando veio o divórcio, ficaram quase sem nada. E elas não querem mais passar por isso", afirma.


Apesar do estereótipo de consumistas, as mulheres tem se preocupado cada vez mais com o futuro. "Elas fazem planilhas, gastam menos com outras coisas. Elas estão no caminho certo", finaliza.

Por Juliana Falcão (MBPress)

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