Futuro - É possível investir em ações em nome das crianças

Futuro  É possível investir em ações em nome das c

Há muitos anos, quando a inflação galopava no Brasil, era comum que os pais quisessem garantir o futuro dos filhos abrindo uma caderneta de poupança em nome das crianças. Há algum tempo, porém, este tipo de investimento se diversificou e chegou à Bolsa de Valores. Isso mesmo! Já pensando na futura faculdade, na compra do primeiro carro ou num curso no exterior para os pimpolhos, muita gente vem aderindo à compra de ações em nome dos filhos. A principal vantagem é o longo prazo, visto como o melhor aliado para este tipo de aplicação!

Para se ter uma ideia, o resultado acumulado da poupança em 2009 foi de 6,93% enquanto o Ibovespa, índice de referência da bolsa, rendeu 82,63%.

Não é à toa que várias corretoras de valores enxergaram esta tendência e, há alguns anos, criaram fundos de investimentos em ações específicos para o público infantil. É o caso da Coinvalores, que oferece o Coin Kids, e da Spinelli Corretora de Valores, que mantém o Vida Feliz, ambas em São Paulo.

"Como se diz no mercado financeiro, nunca é bom colocar todos os ovos na mesma cesta", diz Marcelo Rizzo, consultor de investimentos da Coin. O Coin Kids, que conta com cerca de 80% de cotistas na faixa entre 8 e 10 anos, foi criado em 2000 exatamente como uma alternativa à poupança. "Para incentivar, a taxa de administração é de 0,5% ao ano, enquanto em outros fundos esse percentual chega a 3%. O aporte inicial é de R$ 500, mas as aplicações seguintes podem ser realizadas no valor que o investidor desejar".

A cesta de ações do Coin Kids é formada por papéis tradicionais, como Vale do Rio Doce, Petrobrás e Banco do Brasil. "Temos o caso de um menino que começou a aplicar em 2000, com R$ 800. Este ano, ele resolveu sacar o total, e levou para casa R$ 13 mil".

Já o fundo de investimento em ações Vida Feliz, da Spinelli, começou em 2006. "A recomendação principal que passamos aos pais e às crianças é que mantenham a disciplina nos aportes", diz Manuel Lois, diretor da corretora. "Se pararmos para pensar, nunca temos dinheiro sobrando. Então, o ideal é separar a quantia que se deseja aplicar todos os meses".

No Vida Feliz, os aportes mínimos são de R$ 100, o que mostra que é possível participar do mercado de ações mesmo sem aplicar grandes quantias. A taxa de administração é 2% ao ano. "As ações sobem e caem todos os dias, mas no longo prazo são vantajosas, pois contam com o tempo para recuperarem-se", diz Lois.

Tanto na Coin quando na Spinelli, para investirem, as crianças devem ter CPF próprio e então se cadastrarem na corretora. É claro que, junto com seus pais, elas são orientadas sobre as melhores aplicações.

Educação Financeira

Em qualquer um dos fundos, a criança só poderá resgatar o dinheiro quando completar 18 anos. E conforme vão crescendo, os pequenos investidores parecem tomar gosto pelo assunto. No caso das aplicações em ações, os extratos são endereçados em nome das próprias crianças, que não deixam passar batido!


"O pai de um menino que participa aqui do Coin Kids disse que o filho começou a questionar as razões pelas quais o rendimento nas suas ações era maior que na poupança", diz Marcelo Rizzo.

"Quanto mais as pessoas se esclarecem sobre o mercado de ações, mais resolvem entrar", diz Manuel Lois. "Percebemos que os pais realmente passam para as crianças os conceitos financeiros deste tipo de investimento, o que ajuda no aprendizado em lidar com o dinheiro".

Por Adriana Cocco

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