A pirâmide social deu lugar ao losango no Brasil

Losangulo social

O padrão de vida dos brasileiros mudou. Nos últimos dez anos, as classes sociais mudaram de lugar na pirâmide social. A maioria das pessoas que estavam na base subiu, e essa movimentação acabou por mudar o desenho. Hoje no Brasil não temos mais uma pirâmide, temos um losango social. A maior parte dos brasileiros passou a fazer parte da classe C, hoje a mais populosa do país.

Segundo o Observador 2011, uma pesquisa encomenda pelo Cetelem BGN, a classe C representa 53% da população, o que corresponde a 101 milhões de brasileiros. As classes D e E somam 25% da população. Já as classes A e B, menos numerosas, ficam em terceiro lugar com 21%. Ainda de acordo com o Observador 2011, a classe menos favorecida se diz otimista para este ano.

Segundo o vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (ANEFAC), Miguel José Ribeiro de Oliveira, o setor que mais sentirá o impacto desta mudança será o consumo. "A classe C é formada por potenciais compradores", afirma. A maioria dos brasileiros passou a receber e a consumir mais. A consequência positiva desta ação é o aumento das vendas, da renda e do crédito. "O mercado interno cresce mais, as pessoas consomem mais", explica Miguel José.

Segundo o vice-presidente da ANEFAC, com o aumento do crédito há uma tendência maior ao parcelamento. "Este recurso é uma novidade para a classe C e ela faz uso disso", afirma Miguel José. O Observador 2011 apontou ainda um comportamento diferente: a nova classe C pretende adquirir mais produtos à vista, mas admite que em 2010 60% de itens mais caros (veículos, geladeira, televisores, por exemplo) foram realmente parcelados.

De acordo com Miguel José, a classe mais numerosa do Brasil gasta mais com serviços e eletroeletrônicos. Os mais procurados são tratamentos de beleza, passeios, jantares, telas planas, celulares e câmeras digitais. "A nova classe C procura por coisas que antes não podiam pagar", justifica o vice-presidente. A pesquisa mostrou também que até mesmo os gastos médios, aqueles indispensáveis como água, energia e transporte, subiram. A renda disponível (rendimento mensal menos os gastos) aumentou 45,22%.

A pesquisa também apontou números surpreendentes em relação às compras online: 20% da população já disseram ter usado a internet para este fim. Quem optou por parcelamento fez uso de cartões de crédito, boletos e depósitos bancários, que também foram amplamente utilizados para compras à vista. Além de adquirir bens, os brasileiros também usam a rede para pesquisar produtos que serão posteriormente comprados em lojas físicas.


Miguel José afirma que a compra em longo prazo é positiva, já que aumenta o mercado interno. "Só será negativo se houver um número excessivo de inadimplência", aponta ele. Inadimplência em massa resultaria em uma crise econômica. Mas aparentemente não há riscos. Segundo a pesquisa, 79% dos ouvidos pretendem poupar mais em 2011.

Por Bianca de Souza (MBPress)

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