40% das mulheres americanas são provedoras do lar

40 das mulheres americanas são provedoras do lar

Foto: I Love Images/Corbis

As mulheres estão cada vez mais independentes e esse comportamento já se reflete no casamento. Nos Estados Unidos alguns casais já inverteram os papéis: quem sai de casa para trabalhar é a mulher e o marido, com menos escolaridade, realiza trabalhos menores ou fica em casa, cuidando das crianças e administrando o lar. Com isso passa a se tornar um beneficiário financeiro do casamento.

Quem fez essa constatação foi a jornalista do "The Washington Post" e escritora norte-americana, Liza Mundy, por meio do livro "O Sexo mais Rico", que está sendo lançado aqui no Brasil pela Editora Paralela. A profissional, que também foi responsável pela biografia de Michelle Obama, foi uma das participantes do "Fórum Nossa Felicidade", promovido pela revista "Claudia" e pelo HSBC. O evento aconteceu na terça-feira (06), no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo.

Lisa é estudiosa das questões de gênero há mais de 20 anos e aproveitou a palestra para falar de alguns cases que sustentam suas pesquisas. Ela conta que, nos Estados Unidos, 40% das mulheres são provedoras do lar. Algumas são solteiras, mas muitas são casadas e ganham mais do que os maridos. "A gente esquece que há centenas de anos a mulher não tinha poder econômico. Hoje vivemos mudanças. Ainda temos problemas. Mas eu acredito que estamos vendo um mundo com mais opções para ambos os sexos. E mais: as mulheres podem se casar com homens que as apoiam e que se inspiram nelas", diz.

A jornalista lembra que quando ela fez faculdade havia muito mais homens. Hoje 60% das universidades são compostas por mulheres. E segundo uma pesquisa da Pew Research Center, apresentada pela palestrante, até 2050, serão 150 mulheres com formação universitária no país para cada 100 homens. E já é possível perceber nos dias de hoje que, com essa mudança de cenário, as mulheres estão saindo mais de casa para correr atrás dos seus sonhos e contando com a ajuda dos maridos, que têm menos escolaridade. Ou seja, elas adquirem status fora de casa e eles, dentro de casa.

Conversando com várias famílias Lisa constatou que esse novo formato de casamento tem dado certo para algumas delas. A jornalista exemplificou o fato apresentando alguns cases. Um deles está é de um casal que estava na faculdade. O rapaz parou de estudar, porque não conseguiu pagar. A mulher se formou e se tornou uma advogada bem sucedida. Ele admirava tanto a mulher que decidiu assumir os filhos e a casa enquanto ela batalha pela sua carreira e estabilidade profissional.

Mas em certos casos, essa inversão de papéis pode dar errado. Lisa se lembrou de outro casal que entrevistou que também fazia a mesma faculdade. Só que a mulher deslanchou mais do que o marido. Os dois conseguiram emprego na mesma empresa e a esposa sempre tinha um cargo acima. Pelo fato de não aceitar a situação, o marido passou a ficar cada vez menos afetivo e a criticá-la demais, dizendo que ela estava gorda, entre outras coisas.

Até que um dia anoiteceu e o marido não chegou. Ela sabia onde ele poderia estar e foi atrás. E o flagrou com uma funcionária que ela havia contratado e que exercia o mesmo cargo do marido. O caso resultou em separação.

Analisando o case, a jornalista pensa que o medo de alguns homens está focado na independência financeira da mulher, uma vez que este status pode dar a ela liberdade para fazer o que quiser e quando quiser. "Mas também existem uma parcela do público masculino que é mais inteligente, que pensa que ter essas mulheres poderosas por perto pode ser inspirador."

A sociedade também precisa mudar

Lisa pensa que, para esse formato realmente se solidificar, não é só o casal que precisa entender essas mudanças, mas a sociedade como um todo. "Conheci uma mulher que trabalhava fora e o marido trabalha em casa, como mecânico. Eles se dão muito bem nesse mecanismo, inclusive o rapaz está feliz por ter mais tempo para a filha, tempo que o pai dele não teve com ele. Porém, os pais dela não aceitam e tentam fazer de tudo para que o marido ache essa postura errada e se sinta mal", contou. "Parte da sociedade ainda é resistente a esse novo formato de família."

Há ainda mulheres que não aceitam esse cenário e chegam a esconder suas verdadeiras profissões com medo de espantar os homens e nunca se casarem. "Elas viajam para outras cidades para conhecer homens mais bem sucedidos do que elas ou mentem a profissão (em vez de médicas, falam que são enfermeiras, ou falam que são manicures, cabeleireiras)", revelou Lisa. "Porém, pesquisas revelam que os homens não estão mais tão exigentes quanto às habilidades domésticas ou sobre a virgindade da mulher. O aspecto financeiro hoje e tornou um tópico importante para eles também", completa.


Outras se assustam com o poder, ficam surpresas ao se verem no posto de provedoras financeiras da família. Mas Lisa afirma que a mulher precisa parar de temer e começar a refletir sobre onde quer chegar. "Como seremos presidente dos Estados Unidos ou executivas bem sucedidas se não estudarmos, não nos dedicarmos? Há 40, 50 anos, a mulher ajudava o marido a estudar para que ele fosse bem sucedido. Agora o homem é quem faz esse papel, ajudar a mulher a ser mais independente. E a mulher independente é mais feliz."

Juliana Falcão (MBPress)

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