13º salário na mão: o que fazer para render?

7 dicas para usar melhor o 13º

Foto: Sarah Kastner/Stock4B/Corbis

Quando chega o pagamento do décimo terceiro salário, em boa parte das empresas após a segunda quinzena de novembro, imediatamente muita gente já pensa em o que irá comprar e acaba se empolgando com a facilidade que a velha música diz "dinheiro na mão é vendaval"... e gasta mais do que devia.

Há aqueles também que caem no extremo oposto, e pensam em usar tudo para quitar as dívidasque vem tirando o sono, e assim recebem o extra do salário com um peso no coração: tudo será pago para honrar os erros do passado, o que gera muita, mas muita culpa. Desanima qualquer um, não é mesmo?

Bem, mas podemos usar o dinheiro extra do décimo terceiro de forma mais inteligente, contemplando nosso conhecido desejo por compras e também contemplando condições que sejam melhores para nossa saúde financeira. Não falo somente da quitação de dívidas, mas também incluo os investimentos, a poupança e outras formas de guardar dinheiro que sempre devem fazer parte do nosso planejamento financeiro, mesmo para quem tem um salário ainda modesto.

Como fazer então para que o dinheiro renda e nos deixe com o coração leve e o sorriso no rosto? Primeiramente resista à tentação de sair correndo e gastando, ou ainda à tentação de quitar tudo o que está atrasado sem pensar direito.

Aqui vão algumas dicas para usar bem e principalmente, não ficar sem!

1. Se existem dívidas pendentes, antes de pagar o valor que estão cobrando, proponha uma negociação que reduza os juros e encargos cobrados (multas, mora, entre outros), pois em alguns casos, valores como custos de empresa de cobrança e outras tarifas até inexistentes podem "rechear" o valor que o credor apresenta. Converse claramente com o credor especificando que vai pagar o valor justo, que pode ter sim um abatimento nos juros, isenção de taxas e até um parcelamento que permita a você boas condições de pagamento. Somente depois da negociação feita faça o pagamento.

2. Mesmo que tenha dívidas, saiba que não será possível pagar tudo com o extra (a não ser que as dívidas sejam pequenas ou com descontos extremamente interessantes, que valem a pena aproveitar), porque o fim de ano implica sim em despesas extras: o presente inesperado, a festa dos amigos ou mesmo um cardápio mais caprichado que requerem investimentos. Assim, calcule também o quanto poderá precisar para fazer frente a estas variáveis comuns nesta época.

3. Como podemos saber quanto dá para usar para poupar, comprar e pagar dívidas? A receita é simples: considere o seu extra como 100%, e dele divida o dinheiro contemplando 30% para as dívidas pendentes, 20% para poupar (sim, até para começar o ano com algum no bolso!) e 50% para as compras e gastos de fim de ano. Destes 50% do extra, separe metade para os presentes e a outra metade para despesas extras, que invariavelmente acontecem. O bom desta divisão é que, se por acaso você não tiver despesas extras poderá usar para comprar presentes depois do natal, quando as liquidações começam com os preços bem mais baixos, veja que interessante!

4. Se no seu caso não há dívidas pendentes, parabéns! Portanto, vamos continuar assim, sem fazer outras. Comece a planejar o décimo terceiro dividindo o dinheiro da seguinte forma: reserve 30% para poupança e investimentos e os 70% restantes para presentes, viagens e despesas extras. Vamos imaginar que o extra é de R$100: R$ 30 vão para a poupança, R$ 70 ficam para presentes e extras, dividindo R$ 35 para presentes e R$ 35 para extras, viagens ou outras variáveis. Cuidado com a tentação de querer comprar todo o décimo terceiro em presentes!!! Muita gente se empolga com promoções e acaba fazendo isso sem perceber por meio de uma ferramenta MUITO perigosa: o cheque pré-datado.

5. Falando em cheque pré-datado, muita calma nesta hora: o mês de janeiro reserva gastos extras, que vão da matrícula e material escolar a taxas como IPTU e IPVA, renovação de seguros de carro, casa e outras despesas. Se muita coisa ficar para ser paga em janeiro há um risco imenso da conta não fechar... portanto somente parcele se seu planejamento for muito bom para não ter surpresas desagradáveis logo no começo do ano novo!

6. Pagar à vista ou parcelar? Bem, se o pagamento à vista vier com descontos de ao menos 5% está de bom tamanho. Se não houver desconto algum no pagamento à vista e o valor parcelado for o mesmo, parcele sabendo que terá este compromisso a honrar por um tempo relativo (no caso de quem compra em dez vezes sem juros, isso significa quase um ano pagando!). Neste caso, faça o parcelamento sem juros no cartão para que o limite seja usado e sirva como "freio" para eventuais compras de impulso.

7. Mas o seu caso contempla dívidas já em alto valor e comprometendo o cotidiano, será que vale usar todo o dinheiro para se livrar do problema? Recomendo que, se esta for a sua ideia, pagar tudo e passar o fim de ano sem nada, pense muito bem antes de fazer isso. A pressão por consumo no natal e ano novo é alta, e a sensação de não ter dinheiro algum para ao menos presentear quem amamos pode entristecer numa hora de alegria, que é a vinda de um ano novo cheio de oportunidades. Em último caso separe 20% do seu extra para presentear a si ou os entes queridos, ou ainda para festejar. Embora dívidas devam ser pagas o quanto antes e evitadas sempre que possível, saiba que antes disso é preciso guardar dinheiro pois temos o nosso custo de viver e o custo psicológico de viver bem - algo que nenhum dinheiro do mundo conseguirá pagar.

Use o décimo terceiro com racionalidade para realizar desejos plenos de emotividade para fazer do fim do ano um momento de alegria com saúde financeira!

Suyen Miranda é publicitária e consultora de finanças pessoais, atuando no Brasil, Mercosul, Portugal e Angola. Já foi consumidora compulsiva voraz e tornou-se poupadora e empreendedora, e acredita que toda mulher pode e deve ser autônoma e independente financeiramente. suyen@suyenmiranda.com.br

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