Você fala corporativês?

Você fala corporativês

Quantas vezes você olhou para o seu chefe ou colega de trabalho com aquela cara de ‘não estou entendendo nada’? Desde que o mundo é mundo, as línguas se cruzam e essa fusão cria novas palavras, no balé lindo da comunicação humana. Mas depois da globalização, a coisa mudou ainda mais. O famoso, e duvidoso, “corporativês” pegou. E quase todo mundo já se viu envolvido num “brainstorm”, teve um projeto negado pelo mesmo “não ter aderência no mercado” ou pediu um “feedback”.

O professor Sérgio Nogueira, autor de diversos livros e mestre em língua portuguesa, indica que sempre que o termo tiver tradução, é melhor usar a forma em português, como “lista de verificação” ao invés de “check list”. Mas se não houver tradução, é bom explicar. “Agora se os estrangeirismos forem conhecidos e consagrados pelo uso, como ‘marketing’ e ‘ranking’, tudo bem usar”, afirma o professor.

Sérgio, que participa semanalmente do quadro “Soletrando”, do Caldeirão do Huck, da Rede Globo, é da opinião de que o uso dos estrangeirismos soa pedante - e vai mais longe. “Isso vale para qualquer modismo, mesmo os nacionais “a nível de”, “enquanto”, “vamos estar providenciando”, “focado”, “blindado”. Mas os piores estrangeirismos são os invencionismos ‘startar’, ‘restartar’, ‘printar’. Tudo isso beira ao exibicionismo lingüístico”. Para ele, ainda pior que tudo isso é usar estrangeirismos que a maioria não conhece. “Além de pedante, a comunicação se perde porque não há clareza”.

Prof Sérgio Nogueira

Prof. Sérgio Nogueira (divulgação)

Para você não sofrer mais com aquele colega ‘metido’ - e entender tudo o que o chefe fala naqueles ‘meeting’ para discutir ‘business’, o Vila Sucesso preparou uma listinha especial. Apenas para vocês, VIP!

Dicionário Corporativês

B2B: sigla fonética de “business to business”. É o comércio eletrônico entre empresas.

Benchmark: parâmetros de excelência, exemplos de coisas boas

Brainstorm: literalmente, significa “tempestade cerebral”

Branding: construção da marca de uma empresa, produto ou pessoa

Budget: orçamento

Cash: dinheiro vivo

Chairman: presidente do conselho que dirige a empresa

Coaching: sessões de aconselhamento feitas por um consultor de carreira que acompanha e se envolve no desenvolvimento contínuo do profissional

Commodity: produto primário, geralmente com grande participação no comércio

Deadline: data limite

Feedback: conversa particular entre o líder e o liderado, com caráter de avaliação, sobre os acertos e erros do liderado

Follow-up: dar prosseguimento a uma discussão ou debate, retomando temas para atingir soluções

Forecast: previsão

Full time: tempo integral

FYI: for your information (para sua informação)

Gap: intervalo

Insight: percepção, estalo

Headhunter: caça-talentos do mundo corporativo

Income: renda

Intranet: rede de comunicação interna e exclusiva das empresas

Join Venture: associação de empresas para explorar determinado negócio

Kick-off: primeiro passo, começar

Know-how: conhecimento

Market share: fatia de mercado

Networking: rede de relacionamentos

Skill: habilidade


Spread: taxa de risco

Stand-by: no aguardo

Target: alvo

Trend: tendência

Turnover: rotatividade de funcionários dentro de uma empresa

Repense sua linguagem no universo corporativo. Será que você está exagerando?

Por Sabrina Passos (MBPress)

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