Trabalho e capacitação profissional para presos e ex-detentos

Trabalho e capacitação profissional para presos e

Colocar um ponto final no preconceito e diminuir a reincidência de presos. Essas são algumas das metas estabelecidas pelo Programa Começar de Novo, coordenado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Implantada no final de 2008, a iniciativa é composta por diversas ações. Uma delas é sensibilizar órgãos públicos e a sociedade civil sobre a importância de se oferecer trabalho e cursos de capacitação profissional para presos e egressos do sistema carcerário. Segundo a assessoria de imprensa do CNJ, o próprio Tribunal de Justiça de cada região se encarrega de fazer a seleção dos participantes do programa.

Algumas organizações renomadas já deram o seu sim. A Hering, por exemplo, deve abrir suas portas para empregar alguns ex-detentos e cumpridores de penas alternativas. E as vagas podem abranger também as empresas de serviços terceirizados.

Engajada em projetos sociais, uma das unidades, localizada no estado de Goiás, já faz sua parte há cinco anos, levando trabalho para 220 detentos da Penitenciária de Anápolis. "Eles etiquetam, dobram e embalam as camisetas. Todos são remunerados por produtividade e, a cada três dias de trabalho, ganham a redução de um dia na pena", explica Claudio Schwaderer, gestor da unidade Goiás da Hering.

Uma psicóloga do próprio presídio faz a seleção e acompanhamento dos presos. São levados em conta quesitos como tempo de pena e situação familiar. "Cada apenado recebe por produção. O valor da remuneração chega a um salário mínimo", conta Cláudio. Segundo o gestor, o grupo embala 60 mil peças por dia, alcançando a marca de um milhão de camisetas no fim do mês. "Nossa expectativa é aumentar o número de beneficiados em até 20% ainda este ano".

Schwaderer confessa que este desejo de levar trabalho para dentro das prisões foi idealizado por ele e não poupa palavras para falar do projeto. "Somos capazes de levar alento para esses presos. O primeiro ponto é dar a eles a chance de sair de dentro de uma cela onde cabem quatro, mas abrigam 30. Depois vem a valorização, uma vez que o preso não recebe somente a visita da família, mas oferece dinheiro para ajudar a mantê-la", comenta. "Dois ex-detentos que participaram do projeto dentro da prisão hoje trabalham em empresas terceirizadas da Hering", lembra.

Já a Itaipu Binacional assinou um convênio de cooperação com o CNJ no dia 05 de abril, em Foz do Iguaçu, marcando o lançamento, no Paraná, do Programa Começar de Novo. Segundo o Departamento de Comunicação, a Itaipu já mantém uma série de programas e ações sociais. E a partir de agora, ao fazer a licitação para contratar empresas para executar obras ou serviços, a Itaipu vai colocar uma cláusula exigindo que tenham no quadro um determinado percentual de egressos. Esse mesmo percentual ainda não foi definido pela área jurí¬dica da empresa.


Diferentes segmentos apostam no projeto desenvolvido pelo CNJ. Grandes clubes de futebol, por exemplo, já abraçaram o programa Começar de Novo. Corinthians, Santos e São Paulo vão abrir suas dependências para receber jovens infratores que estão cumprindo medidas sócio-educativas. Se cada parte do país arregaçar as mangas e abraçar o projeto, o CNJ acredita que poderá fomentar o espírito de cidadania e reduzir os índices de reincidência que, de acordo com o juiz federal Erivaldo Ribeiro dos Santos, chega a 80%.

Por Juliana Falcão (MBPress)

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