"Teto de vidro": existe um limite velado para a ascensão profissional feminina?

ascensão profissional feminina

Foto - Divulgação

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) a diferença salarial entre homens e mulheres se estagnou desde 2009 e as moças ganham 28% menos que os rapazes. Além disso, elas são apenas 30% nos altos cargos executivos brasileiros e 5% em toda a América Latina. Os dados fazem parte do fenômeno chamado de "teto de vidro".

Ele atinge mulheres potencialmente capazes de ocupar postos hierarquicamente altos, mas ao ficarem diante do impasse criado entre a maternidade e a ascensão profissional são desencorajadas pelas empresas e pela sociedade. Assim, acabam optando por permanecer em posições intermediárias, com exigências flexíveis que lhes permitem conciliar as tarefas.

O nome "teto de vidro" vem desse limite velado e "imposto" às mulheres que as impede de galgar os degraus mais altos de sua profissão, acabando "achatadas" por esse teto invisível. O vidro serve para ilustrar o fato de que as mulheres podem vislumbrar o alto, mas são impedidas de alcançá-lo. Apesar de tudo, esse limite não é inabalável e, como o vidro, também pode ser bastante frágil.

De acordo com Roselake Leiros, diretora executiva da empresa CrerSerMais de desenvolvimento humano e empresarial (http://crersermais.com.br/), "a conquista do espaço feminino e seus direitos é um processo. Por mais que as leis digam que existem ‘direitos iguais para todos’, sabemos que não é bem assim". A visão sexista de que existem funções específicas e naturais para homens ou mulheres reforçam um quadro de desvalorização feminina.

E a maternidade?

As mulheres grávidas não podem ser demitidas por um bom período, podem ter cargas horárias diferenciadas e ficam um tempo em casa cuidando dos bebês recém-nascidos. Uma conquista e tanto para as mulheres! Mas esse pode ser um dos motivos pelos quais elas não estão em peso nos cargos de chefia.

"Os donos de empresas podem estar procurando um profissional para comandar um projeto imediatamente e a mulher grávida não está inteiramente disponível a assumir o cargo naquele momento. A não ser que o projeto seja de médio a longo prazo, a necessidade de resultados imediatos levará à escolha de homens", diz a diretora.

Em países como Suécia e Finlândia, o direito de ficar em casa com os filhos se estende aos papais também. É possível, inclusive, que eles tirem a licença no lugar das mulheres e fiquem em casa com os pimpolhos. Na Noruega e Dinamarca, a mulher pode tirar sua licença de 18 semanas tranquilamente.

Isso, sim, favorece a igualdade de direitos entre os gêneros, não é?

Ao exemplo desses países, vemos que é possível a mulher ter uma conquista honesta e justa em sua carreira profissional. Não permita que o mercado de trabalho lhe desencoraje a dar continuidade aos seus planos pessoais. E mais do que isso, lute por direitos mais abrangentes e faça sua vontade valer.


Por Juliany Bernardo (MBPress)

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