Soco nos neurônios

Em conversas que não têm hora para acabar, com amigos especiais, descobrem-se coisas que não se encontram em livros. São as pérolas da amizade...

Um amigo trabalhou 31 anos em uma empresa, até se aposentar, e contou-me que durante esses anos teve 17 cartões de visita diferentes, passou por 17 departamentos dentro da empresa e construiu uma carreira poderosa. Hoje, aos 61 anos, revia o passado e se recordava de um fato interessante e até engraçado. Aos 50 anos estava em uma fase crítica, repensando sua vida, seu futuro, pois tinha uma insatisfação sem motivo e resolveu procurar uma psicóloga.

No final da consulta, a psicóloga conclui dizendo-lhe: "Analise comigo: você está casado com a mesma mulher há 20 anos, atua na mesma empresa há 20 anos e mora na mesma casa também há 20 anos. A questão é simples, sabe qual o seu problema? Você é muito conservador!”

Ele não entendeu nada. Como era conservador se tinha “17 cartões de visitas diferentes?" Aquilo, para ele, foi como um “soco nos neurônios”! No entanto, saiu do consultório decidido a mudar. Mas, mudar o quê? De emprego? “Não, ainda tenho muito a crescer na empresa”. De esposa? “Não, dificilmente encontraria outra que me entendesse tanto!” Ele, então, não teve dúvida: mudou de casa!

Mas qual o problema em ser conservador?

Na realidade, não existe um problema, até porque não existe uma regra que diga “essa pessoa é conservadora, aquela outra não é”. Acontece, é que existe um estereótipo no mercado que, quando as pessoas estão há muito tempo na mesma empresa, no mesmo casamento ou na mesma casa, elas são consideradas pessoas conservadoras, e isso nos dias de hoje não é visto com bons olhos. Até eu mesma me assustaria se alguém me chamasse de conservadora, pois ser conservador é sinônimo de estar fora do mercado competitivo, de ser acomodado...

A sociedade cria alguns rótulos que nem sempre são verdadeiros. Você pode estar há 20 anos casado com a mesma pessoa, trabalhando na mesma empresa e morando na mesma casa, e não ser um conservador. Às vezes, a sociedade nos obriga a mudar. E nós mudamos, porque é moda, é uma exigência. E se não mudarmos somos quase “apontados na rua” pelas pessoas.

Mas, mudar o quê? Se você também levou um “soco nos neurônios” e a vida está te obrigando a mudar, mas você não vê nada relevante para ser mudado naquele momento, eu te dou uma dica: mude de casa! Ou, pode ser seu corte de cabelo, seu carro, a decoração da sua casa... Alguma coisa que não afete o que realmente é relevante para você. Pronto! Faça como o meu amigo. Ele não precisava mudar nada, ele não era um homem conservador, mas mudou. Mudou e gostou. Tanto que em menos de 5 anos já mudou de casa 2 vezes.

Você não precisa virar sua vida “de cabeça para baixo” para não ser considerada uma pessoa ultrapassada, mas também não seja tão conservador a ponto de não aceitar idéias novas, de não aceitar nenhuma mudança na sua vida. Esteja aberto para novas experiências, novos conhecimentos, novos amigos... Não coloque um cabresto e fique olhando só para frente. Olhe para os lados, para trás, para cima, enfim, esteja aberto para a vida, pois ela ainda te reserva muitas surpresas!

Um grande beijo e até próxima, pois estou indo comprar móveis novos para a minha sala!

Colunista do Vila Sucesso e Vila Equilíbrio, Leila Navarro é palestrante motivacional e comportamental, além de ser empresária e Presidente do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento do Capital Humano.

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