Sex Shop em casa

Sexyshop em casa

Lipstick batom massageador. R$ 89,00

Se antes as vendas diretas eram feitas por donas de casa se reunindo para comprar produtos de cozinha - quem não se lembra ou nunca ouviu falar da Tupperware? - hoje em dia esse mercado em plena expansão acompanhou os desejos e necessidades da evolução feminina. Por isso também começa a investir na oferta de produtos eróticos.

Segundo a Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas (ABEVD), o mercado brasileiro faturou R$ 21,858 bilhões, 18,4% mais que no ano de 2008. Algo bastante promissor para os empreendedores investirem em um novo nicho de mercado. Pensando nisso é que os empresários Marcus Imaizumi, 34, e Ricardo Luchetti, 42, resolveram lançar a Rede Mel, pois observaram que muitas mulheres ainda têm receio de serem vistas entrando em lojas de artigos eróticos.

"Ao invés disso, elas podem ver os produtos na revista e levar para casa, até para mostrar ao marido. Assim, eles escolhem juntos", diz Roberta Amaral, 40 anos, revendedora. Casada há 20 anos, ela conheceu a rede depois de conversar com Luchetti, antes disso ela não conhecia o universo dos brinquedinhos sensuais. "Descobri algo muito bacana não são para a minha relação, como uma boa oportunidade para complementar a minha renda", conta a analista de planejamento.

Segundo Roberta, durante as conversas, as revendedoras procuraram falar sobre a saúde da mulher e mostrar os benefícios de uma vida sexual satisfatória. O mesmo conteúdo também está na revista-catálogo, que não só apresenta os produtos, mas também reúne matérias sobre sexo, erotismo e qualidade de vida.

Além de vender cosméticos, lingeries e brinquedinhos entre as amigas, principalmente no trabalho, a revendedora que chega a ganhar cerca de 400 reais por mês também organiza eventos. "Por enquanto não são muitos. Outro dia fiz uma espécie de bazar em uma cafeteria. A proprietária chamou as amigas e lá fui eu com a minha bolsa. O mais engraçado é que o público era bastante variado. Tinha até mulheres de 65 anos". Entre os produtos mais procurados estão óleos e cremes para massagem e vibradores mais discretos, em formato de batom.

Com espírito empreendedor, ela cria oportunidades para a venda dos produtos de onde menos se imagina. Durante as aulas de yoga, a própria professora comentou sobre a necessidade dos exercícios pélvicos, um motivo para Roberta falar sobre as bolinhas usadas na prática do pompoarismo.

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Quem também sabe "vender o peixe" é a consultora comercial Joanna Barcellos, 31 anos, uma das primeiras revendedoras da rede. Também casada, ela separa as noites de quarta e quinta, e geralmente, sábado e domingo, para organizar chás de lingerie, com cerca de 15 mulheres, casadas e solteiras. "Faço em salões de beleza com as clientes da proprietária. Arrumo o ambiente com aquelas velas de massagem, exponho 150 produtos e batemos um papo super apimentado". conta. Para este primeiro contato, Joanna separa produtos com preços mais acessíveis e mais simples - óleos, creminhos, bolinhas, entre outros.

Apelidada pelas clientes de "sex shop delivery", ela afirma que em uma primeira visita as mulheres não chegam a dispor de uma grande quantia por produto. "Ela está apenas experimentado e não quer gastar muito". Por isso, Joanna busca em sua lista de clientes - seu mailing tem mais de 140 - um retorno pós-venda do produto e oferece outros, entre eles, vibradores e penetradores. "Nesse momento, quando ela é mais fiel, sem dúvida gosta de comprar algo diferente e mais caro".

Por este motivo, ela mantém em estoque com 3 ou 4 produtos de mais aceitação e tem a liberdade para solicitar produtos específicos, de linhas mais sofisticadas. "Outro dia vendi um vibrador de 300 reais para uma cliente", conta animada.


Os chás de lingerie também podem ser organizados por madrinhas de casamento. E chega a reunir familiares e colegas das noivas. "Como é um momento especial procuro deixar elas bem a vontade e crio um ambiente mais lúdico. Assim, duas ou três amigas compram juntas uma camisola super sensual, as outras complementam o enxoval com uma calcinha bacana, e assim vai", explica. Em cada evento ela chega a vender 12 produtos, o que garante uma renda de R$ 700 por chá. Como 30% de cada venda fica para as revendedoras, sobram R$ 210 a cada evento. "Em média recebo 800 reais por mês e me divirto", finaliza.

Por Juliana Lopes

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