Rumo rápido ao retrocesso

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Tramita no Congresso um projeto de lei que prevê cotas favorecendo o ingresso - através de concurso - de pessoas deficientes nas Forças Armadas Brasileiras. Atrasado até, uma vez que em vários países como Israel e Portugal isso já é uma realidade há anos.

A má, péssima notícia é que, enquanto a lei tramita para análise em primeira instância já há um lobby forte para que ela não passe e que continue a vigorar o veto dessas pessoas a sequer prestar o concurso. Simples assim.

Minha fonte diz que não são poucos os que argumentam a favor do veto e quando soube disso não pude deixar de me escandalizar. Onde está a mão amiga do “Braço Forte, Mão amiga” lema do nosso valoroso Exército?

Veja a ironia da situação caras amigas: logo após a segunda grande guerra, o mundo inteiro começou a mudar com mais agilidade suas políticas com relação a pessoas com deficiências. Afinal de contas, por conta de uma guerra, o planeta subitamente viu-se povoado com uma legião de bravos combatentes mutilados que, de volta a seus países esperavam continuar suas vidas da melhor maneira possível.

Enquanto isso o Brasil - que de fato pouco participou da guerra - não se preocupava muito com o assunto. Só agora, com tantas novas tecnologias facilitando a vida de pessoas com deficiências, elas aos poucos conseguem um espaço maior no mercado de trabalho. E eis que, 60 anos depois, alguma boa alma lembrou-se de corrigir o erro, permitindo a deficientes que ingressem nas Forças Armadas.

De que maneira eles podem ajudar? - você deve estar se perguntando. De muitas, ora. Se há médicos, enfermeiros e controladores de vôo (como há e muitos) com deficiências fora das Forças Armadas desempenhando suas funções irrepreensivelmente, porque raios eles não poderiam fazer o mesmo dentro delas!?

Pois é: há o preconceito aliado a falta de informação e, principalmente o comodismo, o medo de mudar um pouco, de aprofundar o olhar sobre um determinado problema. Tudo isso junto faz com que pessoas menos evoluídas insistam em vetar o ingresso de pessoas com deficiência em nossas Forças Armadas.

Ora, ninguém está falando que é para alguém sobre cadeira de rodas subir o morro atrás do inimigo. Mas e as áreas onde isso não é necessário? A administração, a estratégia a inteligência - como fica tudo isso? Será que necessariamente são indispensáveis os Rambos para cuidar delas? Duvido.

Israel é um país em guerra permanente. E lá, há um enorme contingente de pessoas com deficiência que se alistam voluntariamente (elas podem) e trabalham nos mais variados setores.

Yonatan Cohen é um deles, e sobre uma cadeira de rodas , com a mobilidade seriamente reduzida em função de paralisia cerebral, percorre todo o território fazendo palestras sobre a importância do alistamento.

Acaba sendo um exemplo, pois, ao vê-lo, muito poucos podem alegar que não podem se alistar devido a este ou aquele problema. (Quantos filhinhos de papai escapam do CPOR alegando ter pé chato? É o que dá ter leis limitantes como as nossas...)

Espero que a nova lei passe e que vença a luz. Até por que, sempre é bom lembrar que os generais (indispensáveis nas estratégias de guerra e inteligência) dificilmente são jovens e muitos se enquadram na categoria “mobilidade reduzida.” Mas nem por isso são excluídos de suas corporações ou deixam de lutar.

Danielle Kalifa, uma moça cega que serve ao exército israelense, afirma que “se a comunidade não sabe aceitar pessoas um pouco diferentes, nunca chegará a bom termo.” Deve ser por isso que o Brasil caminha rapidamente para trás - e nessa bagunça.

Jornalista, escritora e palestrante, Claudia Matarazzo é autora de vários livros sobre etiqueta e comportamento: “Visual, uma questão pessoal”, “Negócios Negócios - Etiqueta faz parte”, “Amante Elegante - Um Guia de Etiqueta a Dois”, "Casamento sem Frescura", "net.com.classe", "Beleza 10", "Case e Arrase - um guia para seu grande dia", "Gafe não é Pecado" e "Etiqueta sem Frescura"
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