Recrutadores de olho na estabilidade

Recrutadores de olho na estabilidade

Você é daqueles que fica pipocando entre um emprego e outro? Cuidado! Os recrutadores estão de olho e muitos têm objeção em contratar profissionais que passaram curtos períodos nas empresas. Isso porque, na hora de escolher quem vai assumir determinada função ou departamento, quem contrata encara a estabilidade nos trabalhos anteriores como reflexo de maturidade profissional.

É claro que esses mesmo recrutadores estão de olho na geração “Y” de profissionais, que mudam de emprego com maior frequência e não tem a estabilidade como característica principal. Mas, mesmo assim, o quesito continua importante na hora da decisão de efetivar um funcionário.

De acordo com a pesquisa “A Contratação, a Demissão e a Carreira dos Executivos Brasileiros”, realizada pela Catho Online, 89,3% dos presidentes e diretores de empresas têm alguma restrição a profissionais que passam por períodos curtos dentro de cada empresa. Os gerentes e supervisores também não veem com bons olhos a curta permanência nas experiências profissionais anteriores. “Estes dados refletem o pensamento do empregador, que valoriza profissionais que permanecem muito tempo nas empresas. Assim, há como investir neste capital humano, para que ele cresça juntamente com a organização”, atribui Adriano Meirinho, diretor de marketing da Catho Online.

O interessante, no comparativo dos fatores de objeção dos recrutadores está que a exigência aumentou nos últimos 10 anos para aqueles que se preocupam mesmo com isso. Quem não fazia objeção, no entanto, no passado, tem diminuído a preocupação com esse fato.

A mesma pesquisa também apurou que a estabilidade considerada desejável é de três anos e meio. O índice vem se mantendo constante em pesquisas realizadas anteriormente. Profissionais mais maduros e de níveis hierárquicos mais elevados tendem a considerar um tempo ligeiramente maior, próximo a quatro anos.

A pesquisa foi realizada entre os meses de março e abril deste ano e contou com a opinião de 16.207 participantes. Foram levadas em consideração apenas as respostas de profissionais que trabalham em empresas privadas e que possuem mais de 18 anos de idade. O estudo é realizado pela Catho Online desde 1988. Para tirar mais dúvidas sobre esse assunto o Vila Sucesso foi conversar com o Rogério Reberte, gerente de Recursos Humanos da Catho. Presta atenção no que ele tem a dizer!

Muito tempo no mesmo emprego não pode gerar pequeno vícios, difíceis de remodelar? As empresas não consideram isso também?

Depende muito da função. Existem contratantes que precisam de profissionais com experiência, assim ganham tempo na implantação de alguns processos. Profissionais que exercem atividades muito básicas, que com um breve treinamento executam as atividades e trazem resultados, podem ser desenvolvidos rapidamente e, neste caso, a opção pela contratação de uma pessoa sem experiência pode ser mais viável, pela ausência de paradigmas. O mesmo não acontece com outras funções, onde o conhecimento e a habilidade demandam muito tempo e a empresa precisa de um profissional mais preparado e que tenha passado por experiências que somente seriam possíveis em decorrência do tempo em que esteve na empresa.

Estabilidade profissional pode ser confundida com comodismo? Os recrutadores levam isso em consideração também?

Ficar muito tempo em uma mesma empresa demonstra comodismo apenas quando não há evolução vertical ou horizontal nesta empresa. Vamos imaginar um profissional que ficou 10 anos em uma mesma empresa, mas entrou lá como office boy e saiu como gerente ou diretor e todo ano teve uma evolução. É notório que este profissional não foi acomodado. Além do tempo e da evolução, devem ser avaliados os estudos e cursos realizados, formação em nível superior, pós graduação, MBA, transferência de área. Temos ainda gerentes que entram e saem na mesma função, ficam muito tempo na empresa, mas receberam aumentos salariais e bonificações. É importante que o selecionado esteja preparado para este tipo de questionamento, caso enquadre-se nesta condição, e que tenha a resposta na ponta da língua, desconfigurando a acomodação e dando crédito a estabilidade. Mas existem muitos profissionais que reclamam das empresas e de suas funções e não fazem nada para mudar esta condição, isto é claramente compreendido como uma postura de comodismo por parte do profissional.


O quesito tempo de trabalho numa mesma empresa vale mais que experiências variadas, por exemplo?

O que vale não é o tempo, mas a qualidade das experiências vividas e que valorizam o profissional. As empresas têm projetos e problemas para serem solucionados e a experiência do profissional que irá desenvolver os projetos e/ou resolver os problemas, devem garantir maior rapidez na solução. Se o profissional ficou apenas numa única empresa, ele se desenvolveu para aquele ramo de negócio, limitando as empresas onde a sua contratação possa ser interessante, mas em compensação, ele se tornou um especialista neste ramo, o que pode ser um diferencial. Para o profissional que trabalhou em diversas empresas e ramos diferentes, as múltiplas experiências são o diferencial. O fato é que o profissional que se empenha em suas atividades, com erros e acertos que o levam às melhores soluções, tem uma expertise impossível de ser roubada e torna-o um profissional valorizado pelo mercado de trabalho.

Por Sabrina Passos (MBPress)

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