Recolocação profissional pós-maternidade: vá em frente!

Recolocação profissional pósmaternidade vá em fren

Bom, este é um assunto recorrente, mas que sempre traz novidades. Afinal, muitas mulheres que experimentam a emoção de serem mães logo percebem que a vida real continua e que o emprego as aguarda. Só que a recolocação profissional pós-maternidade não é tão fácil assim. Não só devido à necessidade de conciliar profissão com maternidade (isso acontece desde que o mundo é mundo!), mas é que a evolução do mercado de trabalho não pára apenas para que você tenha tempo de amamentar e trocar fraldas. A tecnologia evolui, a comunicação, então, nem se fala. Novas relações pessoais são seladas a cada dia, o mundo corporativo se renova. Para não ficar para trás, é preciso estar "antenada". Confira a seguir as orientações do consultor em Gestão Empresarial Paulo Queija.

- Conseguir uma recolocação profissional após a maternidade é difícil atualmente ou as mulheres nesta situação têm grandes chances de voltar a trabalhar?

Paulo Queija - Hoje em dia, há no mercado uma competição ainda mais acirrada, sem dúvida. Competir com profissionais que atuam de forma efetiva é mais difícil, principalmente quando se sai por um período e perde o contato, deixando de se manter conectado com o que acontece nesse mercado. Conheci casos de profissionais que saíram e, por sua "expertise" no que fazem e a manutenção de seus contatos e acontecimentos, passaram cerca de 1 a 2 anos se dedicando à criação do filho, mas voltaram numa situação muito parecida com a que tinham antes de serem mães. Ou casos de quem negociou com a própria empresa onde trabalha, continuando a atuação em casa depois que o tempo de licença terminou, justamente para se dedicar mais ao filho.

- Antes de retornar ao mercado, é necessário reciclar os conhecimentos através de cursos, por exemplo? Ou isto pode ser feito simultaneamente ao retorno ao trabalho?

Paulo Queija - Existem diversas maneiras de se manter atualizado, principalmente se considerarmos o que a internet nos possibilita. Os cursos on-line, desde aqueles de curta duração até graduações e pós-graduações de ótima qualidade que nos mantêm em contato com outros profissionais do mercado, juntamente com as novidades que são disponibilizadas, dão condições da profissional manter-se atualizada e ligada de certa forma ao mercado. Conciliar o tempo que está afastada dedicando uma parte para estudo é uma das melhores maneiras para isso, podendo, por exemplo, utilizar de 5 a 10 horas semanais. Deixar para fazer isso somente quando retornar às atividades na busca de nova colocação no mercado pode ser um pouco tarde. Dependendo do tempo que a mulher ficar afastada do mercado, o tempo de recuperação talvez seja maior.

- Esta pode ser uma boa oportunidade para quem deseja mudar de área profissional? Por que?

Paulo Queija - Neste momento, estar aberta a novas oportunidades e ter uma outra visão para um novos mercados pode ser muito positivo. O desafio é deixar claro no currículo e na utilização de sua rede de contatos o motivo deste novo foco e o que pretende utilizar de sua experiência e vivência para este novo desafio. Mudar de área envolve investimento na busca da construção de novas competências, através de capacitação, mas também na própria função e, em alguns momentos estas profissionais buscam uma colocação com menor remuneração ou numa posição hierárquica diferente para acumular experiências. Quando a opção é de empreender algo próprio é melhor ainda, desde que se tenha claro os riscos e esteja com disposição para trilhar este caminho. A,í o céu é o limite, ou será o espaço?

- De que forma a presença em redes sociais pode auxiliar?

Paulo Queija - Justamente por conseguir através destas redes manter contatos com profissionais, ter acesso a material de pesquisa focados em seu interesse e deixar a profissional conectada às novidades. A utilização destas redes para a divulgação de currículos é algo que vem crescendo também e, dependendo do ramo de atuação, são os caminhos utilizados por algumas empresas que precisam de profissionais integrados a estas redes. O Linkedin é um exemplo de rede social voltada para o aspecto profissional. As demais redes também podem ser utilizadas para nutrir os relacionamentos e por consequência gerar oportunidades de trabalho e aprendizado.Os blogs também são caminhos interessantes para visibilidade, desde que mantidos atualizados, bem como o acesso aos blogs disponíveis onde é possível ter contato com pessoas que estão intimamente ligadas a diversas redes de contatos.

- A volta ao trabalho, após a maternidade, dificilmente será idêntica ao período em que a mulher não tinha filhos. Afinal, agora ela acumula a profissão e a função de mãe. Como se organizar para não perder novamente a chance de estar trabalhando?

Paulo Queija - Este é o ponto: organização. Utilizar bem o tempo é fundamental, planejando sua semana. O ponto primordial a ser considerado é que o dia a dia da mulher não será mais o mesmo e uma nova rotina deverá ser incorporada. Incluir no pacote com quem a criança ficará e em quais dias isso acontecerá, combinado isso com a entrada e saída do trabalho, lembrando que esta é uma responsabilidade do casal (quando for o caso), e dividir com o companheiro as atribuições para que ninguém saia sobrecarregado, também são boas dicas. O tempo de dedicação à família e lazer deve ser bem dividido com o trabalho e momentos de estudo, primordial para o seu desenvolvimento. Para isso é importante uma boa carga de energia e disposição que deve ser nutrida frequentemente, considerando que o tempo com o filho e família é de convivência e prazer. Essa maneira de encarar esta nova visão de vida ajudará nesta recarga de disposição e motivação.


- Trabalhar como freelancer, em ocupações temporárias, pode ser uma boa opção para estas mulheres?

Paulo Queija - Sim, desde que seja possível no foco de atuação da profissional. Se este trabalho for em casa, será fundamental se organizar bem pois pode virar uma grande "cilada". O envolvimento com as tarefas de casa e as necessidades do filho devem ser bem planejados, deixando claro os momentos que serão utilizados para o trabalho. Quando a atividade for nas empresas contratantes, o raciocínio é o mesmo de um trabalho regular. O importante é traçar seus objetivos profissionais junto com a visão pessoal, para que caminhe nesta direção e busque a sua plena realização.

Por Adriana Cocco

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