Quando o chefe está ausente

Muitos líderes geralmente costumam tirar férias no início do ano. Em algumas empresas, eles chegam a passar parte da suas tarefas aos colaboradores, esses às vezes mudam totalmente o comportamento na ausência de seus chefes. O vídeo acima pode até ser algo ensaiado, mas não é muito diferente da realidade de alguns escritórios.

Antes de ser proprietária de uma loja, Daniela Silva, 27 anos, trabalhava em uma empresa de comunicações, no departamento de atendimento ao cliente. Ela e a equipe de telemarketing passavam a maior parte do tempo sozinhos, sem a presença do líder, pois ele estava na sede da empresa. "Ficava abismada. Era um passeando e falando no telefone o dia inteiro, outro comendo na bancada, andando descalço. O pessoal fazia a festa, afinal, sempre que o gato sai, os ratos fazem a festa", conta.

Enquanto esteve no setor de atendimento, ela já viu muita gente ser pega em flagrante e usando as mais diversas desculpas para sair da situação. Em alguns casos, não teve jeito, a demissão aconteceu. "Mas a maioria tinha sorte. Comigo nunca aconteceu algo constrangedor, também não dava motivos".

Tempos depois, ela foi promovida e, na situação de líder, sentiu na pele o papel de repreender os colaboradores. "Supervisionava uma equipe de quatro pessoas, que se revezavam entre manhã e a tarde. A cada período ficavam duas, que nunca poderiam almoçar ou saírem juntas. A condição era ter uma na mesa de atendimento. Um dia, quando voltei mais cedo, descobri que quando eu saia para almoçar a dupla saia junto. Foi quando chamei atenção e recriminei a atitude deles. No fundo, acho que todo chefe sabe o funcionário que tem".

Na opinião Janete Teixeira Dias, consultora de carreira, a atitude de desleixo e falta de comprometimento na ausência dos chefes muitas vezes acontece se o modelo e gestão é tenso, cheios de regras. "Se há uma relação de desconfiança, que sempre existe algo de errado, certamente eles se aproveitarão em momentos de folga". Para ela é fundamental estabelecer um política de confiança, parceria, sem que haja aquela sensação de policiamento.

E nesse acordo deve haver transparência de ambas as partes. "Isso inclui também liberar acesso às redes sociais, de todos os tipos. Em muitos casos, em alguns momento é preciso essa ‘surfada’ na internet, para ajudar no processo criativo, ou mesmo, para o profissional descansar a mente no caso de trabalhos muitos repetitivos. Quando se trata de uma pessoa envolvida, que busca realizar os seus sonhos através daquele lugar, seja no âmbito profissional ou mesmo financeiro, é algo que dá bons resultados". Mesmo porque, conforme a consultora, o importante é a pessoa estabelecer as metas estipuladas. Se o profissional entregou o trabalho no prazo e com qualidade, não há porque "pegar no pé".

O que acontecia na empresa em que Daniela trabalhava também é realidade em outros lugares. A questão é ainda mais complexa quando na ausência do líder, ele precisa delegar algumas funções, uma tarefa difícil para muitos deles.

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"Antes de sair de férias é preciso saber treiná-los, mais do que isso, envolvê-los nas decisões porque no futuro estarão mais preparados em situações mais difíceis". Por fim, Janete aconselha sempre observar onde ocorreu a falha e porque aquela meta não foi cumprida nos dias ausentes. Se aconteceu por desleixo dos profissionais ou por falta de treinamento necessário.

Por Juliana Lopes

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