Profissional do charuto

Profissional do charuto

Em filmes, desenhos e até quadros, o charuto faz o papel de coadjuvante essencial. Saindo das telas, esse intrigante personagem pula nas mãos de Fidel Castro e Ernesto Che Guevara, por exemplo. Aparece até em músicas, com a conhecida "Guajira Guantanamera", de José Fernandéz Díaz.

Apreciar um puro, de ótima qualidade, requer muito trabalho e estudo. De tão extenso (e intenso), foi preciso criar um profissional especializado no assunto, o epicure sommelier. E no meio desse universo que parece tão masculinizado, o Vila Sucesso encontrou uma mulher, especialista em charutos!

Ivone de Souza é uma das pouquíssimas mulheres no Brasil nessa profissão que tem o interessante trabalho de ensinar o cliente não apenas a fumar de forma correta - sem tragar e sem estar de estômago vazio - mas também a harmonizar, combinar diversos elementos diferentes na ocasião, deixando tudo mais agradável.

Quem trabalha como epicure precisa saber muito bem qual charuto combina com que bebida ou comida. "O objetivo é que cada elemento seja apreciado sem que atrapalhe o sabor do outro", explica.

Vinda de Belém do Pará, Ivone caiu na profissão por acaso - era bailarina. Nunca tinha pensado no assunto e nem sabia que a profissão existia até que um amigo lhe propôs o emprego. "Ele estava fazendo consultoria de um bar há 15 anos e me convidou para o trabalho. Achei bem interessante e aceitei. Eu nunca tinha fumado, mas comecei a me interessar pelo serviço, a estudar e a fumar também", relembra a profissional. Gostou tanto do negócio desde então trabalha na profissão. O que a fez continuar foi o tipo de trabalho desenvolvido, voltado ao bem-estar do cliente. "É preciso muita responsabilidade. O cliente tem que ter confiança no que está consumindo", pondera a profissional.

Seu primeiro instrutor foi o amigo César Abrantes. Com ele, Ivone fez o primeiro curso e pode aprender as maravilhas de ser uma harmonizadora. "Depois, fiz outros cursos, assisti a palestras. Fui a fundo mesmo", comenta Ivone.

Ela já teve a oportunidade de trabalhar em diversos países ensinando às mais variadas pessoas como se aprecia um puro de verdade. Passou por países como Estados Unidos, Rússia e até o Japão. Mas dentre tantas diversidade, ela já escolheu seu público preferencial. "Para ser sincera, gosto mais de trabalhar com mulheres. Gosto de ensiná-las a beber, a combinar, a cortar o charuto e segurá-lo de um jeito mais delicado e sofisticado". Segundo ela, muitas vão apenas acompanhar maridos e namorados e assim começam a apreciar a prática.

Atualmente, a epicure está no Brasil, mostrando seus dotes na gerência do Drake’s Bar e Deck, no bairro Pinheiros, em São Paulo. E seu trabalho vai além de somente servir os clientes. "Trabalho como gerente no Drake’s, recebo pessoas e ensino quem quer aprender a fumar. Ajudo quem quer começar, por onde e como começar", diz.

Como muitas das mulheres aventureiras do universo masculino, Ivone conta que, mesmo depois de tantos anos sendo epicure, ainda sofre preconceito. "Mas eu não me abalo muito com isso. Ignoro ou dou uma resposta educada, porque gosto do que faço. Não faço porque quero me aparecer ou porque sou macumbeira", brinca, lembrando uma história engraçada.


Por Tissiane Vicentin (MBPress)

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