Profissão: Perito Criminal

Profissão Perito Criminal

Rosângela Monteiro. Foto: divulgação

No dia 29 de março de 2008, a população brasileira se chocou ao saber na morte de uma menina de cinco anos, que havia sido jogada do sexto andar de um prédio na zona norte de São Paulo. Quase dois meses depois, o pai da menina, Alexandre Nardoni, e a madrasta, Anna Carolina Jatobá, foram levados para o presídio de Tremembé, acusados de serem os autores do crime. Dois anos depois da tragédia, o casal foi condenado pelo júri popular.

Para capturar todas as provas, foi necessário o empenho de uma equipe de perícia criminal, que se encarregou de analisar minuciosamente todas as provas e locais por onde a menina, o pai e a madrasta passaram naquela noite. E quem coordenou os trabalhos de investigação e acompanhou de perto o desenrolar desse crime foi Rosângela Monteiro. "A função do Perito Criminal é examinar o local do crime, os instrumentos utilizados para tal e as peças relacionadas", resumiu em entrevista ao Vila Sucesso.

Além de muita astúcia e raciocínio lógico, os peritos criminais contam com a ajuda da alta tecnologia. No caso Nardoni, por exemplo, Rosângela recorreu aos produtos químicos Blue Star e Hexagon (reagente que evidencia indícios de sangue) que, misturado a outro reagente conhecido como Luminol, comprovou que as manchas encontradas no lado de fora e de dentro do apartamento eram de sangue humano. Coordenadora de exames e laudos do Instituto de Criminalística, Rosângela é a perita mais experiente e também a única autorizada no Estado a fazer uso do Luminol.

Embora muitos achem que o trabalho do perito é feito apenas baseado em sua percepção, Rosangela afirma que é preciso ter aplicação de metodologia científica e só depois apresentar explicações às autoridades. "Horas antes do julgamento do casal Nardoni, que aconteceu quase dois anos depois, eu ainda estava respondendo aos quesitos. Respondemos a 130 quesitos sobre o caso", declarou durante palestra na Feira Internacional de Tecnologia, Serviços e Produtos para a Segurança Pública, que aconteceu em junho, em Florianópolis. Mas garantiu que o trabalho todo é imparcial. "Não trabalhamos para defesa ou acusação, mas sim para esclarecer o que de fato aconteceu".

Tornando-se um Sherlock Holmes

Doutora em Psicologia Clínica, Rosângela Monteiro conta que o processo para se tornar um perito criminal é longo, e exige muita dedicação e paciência. Em São Paulo, ela afirma que é condição sine qua non o candidato ao cargo possuir diploma de curso superior (bacharelado) em qualquer área do conhecimento humano. "O acesso se faz única e exclusivamente por concurso público, de títulos e provas (prova escrita, oral pública, de suficiência física)", explica.

Após ser aprovado no concurso, o interessado é obrigatório frequentar o Curso Técnico-Profissionalizante em Criminalística, oferecido pela Academia de Polícia do Estado de São Paulo. Possui duração de um ano a um ano e meio, em período integral, e é composto por mais de 30 matérias. Depois, o profissional é designado para exercer sua função em algum núcleo ou equipe, seja perícia externa ou interna. E, durante três anos - período de estágio - ele será avaliado.

Rosângela explica que no ramo de perícia criminal existem diversas especialidades: em local de crime (Crimes contra a Pessoa, Crimes contra o Patrimônio, Acidentes de Trânsito, Engenharia), perícias internas (Documentoscopia, Contabilidade, Informática, Identificação Criminal) e as de laboratório (Biologia e Bioquímica, Química, Entorpecentes, Toxicologia, Análises Instrumentais, Física, Balística). "A designação será feita pelo Diretor do Instituto de Criminalística, levando em consideração a necessidade, uma vez que o indivíduo, ao terminar o Curso Técnico-Profissionalizante, estará apto a exercer a função em qualquer setor".


Assim como todas as outras áreas, o perito deve se atualizar constantemente, por meio de pesquisas e cursos na área forense, para executar com trabalho com maestria. "Por ser um trabalho técnico-científico, o profissional deve também desenvolver a perspicácia, o raciocínio lógico, discernimento e, o mais importante, ter perfil psicológico para exercer a atividade".

Por Juliana Falcão (MB Press)

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