Profissão: perfumista

Profissão perfumista

Foto: divulgação.

Os frascos de perfume carregam muito mais que aquele cheiro preferido. Eles sintetizam desejos e personalidades desde o início das civilizações, quando eram usados como instrumento de contato com o divino, pelos egípcios. Hoje, as fragrâncias dentro de cada vidro têm uma história que começa muito antes do primeiro toque com a pele.

Para entender como um perfume é produzido é preciso, antes de tudo, saber que há um verdadeiro exército envolvido na criação do conceito que se quer ter por trás (ou dentro) do vidro. Apenas depois desses conceitos bem definidos é que os perfumistas começam a trabalhar.

“Essa conceituação vai dizer se o perfume é masculino ou feminino, para o público jovem ou adulto, se deve ser para usar de dia ou de noite”, explica o perfumista Napoleão Bastos Jr., da casa da IFF Essências e Fragrâncias, uma das multinacionais que tem a Natura como cliente. O desafio do perfumista, segundo ele, é criar algo olfativo que traduza os conceitos definidos pelo cliente. “Feito isso, o sucesso do produto é quase certo”, diz.

Napoleão é perfumista há 35 anos e a profissão aconteceu para ele quase que naturalmente. O pai era dono de uma fábrica de sabonetes numa época em que por lá mesmo eram feitas as composições. E ele sempre se encantou com a sala onde eram produzidos os cheiros. “Tive contato com a matéria-prima muito cedo. Me formei em engenharia química e sempre trabalhei com perfumes”. Hoje, com perfumista sênior da IFF, ele tem em seu laboratório cerca de 3 mil matérias-primas diferentes, divididas entre saída, corpo e fluído - as três partes ou notas que compõem um perfume.

As notas de fundo são a base da composição e tem maior poder de fixação. Já as de corpo (ou coração) são mais gentis e tem menor duração. As de saída (cabeça) é aquela que da o cheiro que se sente assim que se abre o frasco.

“As saídas podem ser cítricas ou de frutas. O corpo pode ser floral, de rosas ou jasmim, por exemplo. Já o fundo é amadeirado, musk, cacau”, explica. Manipulando tudo isso, e partir da conceituação, um perfume pode levar até seis meses para ficar pronto.

Napoleão acha que a produção nacional de perfumes em nada perde para a internacional. E explica o porquê da opinião: “são os mesmos perfumistas que criam, com a mesma carta de matéria-prima”. Segundo ele, o enfoque dado é que diferencia. “Na Natura, por exemplo, há a intenção de traduzir o jeitinho brasileirão, a beleza da mulher, o charme. Isso não se encontra em fragrâncias importadas”, fala.


Não existe uma escola para formar um perfumista e a maioria se especializa mesmo nas grandes casas de perfumaria. Napoleão conhece uma escola, nos arredores de Paris, que oferece um curso que dá as noções. A formação em engenharia química ou farmácia também dá noções para quem quer seguir nessa área. E o mercado de trabalho? Se você tem vontade de trabalhar como perfumista, pode procurar empresas de cosméticos em geral e claro, a indústria de perfumes. “Mas em tudo que há cheiro tem um perfumista envolvido”. Cheio de sensibilidade - e com a criatividade na ponta do nariz - Napoleão ajuda a criar os cheiros preferidos de muita gente! Uma delícia de trabalho.

Por Sabrina Passos (MBPress)

Comente

Assuntos relacionados: carreira natura perfume perfumista