Profissão mulher

Profissão mulher

Que a mulher faz muito mais trabalhos não remunerados (em casa, principalmente) que o homem, disso todo mundo sabe. O que não se sabia até agora é que a disparidade entre os números era tão grande. Um estudo realizado no Uruguai, com financiamento do Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher - Brasil, do Cone Sul e do Instituto Nacional de Estatística descobriu que as mulheres uruguaias dedicam 20 horas semanais a mais para o trabalho não remunerado do que os homens.

A geração desses indicadores sociais referentes a gênero e uso do tempo já tem reflexos no Brasil e no Paraguai. Em setembro desse ano, os dois quesitos serão incorporados à Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio, realizada pelo IBGE, em parceria com a SPM. Os primeiros dados brasileiros devem ser divulgados em 2010.

“O Unifem aposta em tornar visível o que está ‘invisibilizado’ e naturalizado como a contabilização do trabalho em toda a sua classificação”, disse a diretora regional do escritório do Unifem para o Brasil e o Cone Sul, Ana Falú. Durante o seminário internacional realizado em Montevidéu, onde os dados foram apresentados, ela citou também a falta de compreensão do trabalho das donas-de-casa como trabalho não remunerado. O estudo entende como trabalho não remunerado o conjunto de atividades como as doméstico-familiar (cuidados infantis, de dependentes e doentes), ou voluntárias.

A socióloga Rosario Aguirre, editora da publicação “As bases invisíveis do bem estar social - o trabalho não remunerado no Uruguai”, acredita que esse tipo de trabalho tem compensado a falta de oportunidades no mercado tradicional. Mas ela defende que o desequilíbrio deve ser corrigido por três razões: equidade de gênero, para ampliar os direitos econômicos, políticos e sociais das mulheres; questão demográfica, para evitar a escolha entre trabalho ou ter filhos; e questão econômica, com vistas ao aumento da participação das mulheres no mercado de trabalho.

Não importa a idade, a mulher sempre supera o tempo masculino dedicado ao trabalho não remunerado. O período mais crítico corresponde à faixa de 30 a 59 anos - até três vezes maior. Vale lembrar que é nessa época em que as mulheres estão em idade produtiva e dedicadas à criação de filhos.


O estudo feito no Uruguai conclui que as atividades para a produção de bens e serviços têm sido priorizadas em detrimento do bem-estar e da sustentabilidade da vida. Essas desigualdades são geradas por fatores como raça, etnia, geração, condição sócio-econômica e estado civil, que influenciam a divisão do trabalho remunerado e do trabalho não remunerado.

Por Sabrina Passos (MBPress)

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