Profissão Comediante

Profissão Comediante

Foto/Divulgação

Descolada e intelectual, assim é a comediante Carol Zoccoli, que ficou mais conhecida na mídia depois de ter chegado na reta final do concurso à repórter no CQC. Antes disso e, principalmente, antes de ter a sua primeira peça em cartaz, ela trilhou vários caminhos.

A começar pela descoberta da própria vocação de comediante. Carol estudava filosofia e adorava escrever textos de vários assuntos, até que começou a investir em coisas mais divertidas. "Não ficava satisfeita com o que via no papel, mas na comédia era diferente", conta.

Hoje, com o mestrado recém concluído "graças a deus" (risos), elas apresenta junto com outras amigas o stand up comedy "Humor de Salto Alto". A ideia veio depois de uma experiência não tão animadora com um grupo formado por homens, onde ela não tinha muito espaço para expor as suas ideias. "Fora isso já estava cansada de ouvir ‘ah, não! Mulher’, quando entrava no palco. O mais engraçado é que ouvi graça das próprias mulheres. Uma chegou a falar para me tirar do palco, e no final disse ‘apesar de você ser mulher, adorei’. Confesso que sofri sim muito preconceito no início", diz.

Outro motivo também fez com que ela montasse o seu Clube da Luluzinha de comédia: a provocação da Emílio Surita. Ele disse durante o programa Pânico, na Rádio Jovem Pan, que mulher não tem graça.

Além de dividir o palco com as amigas, a comediante encena Santa Comédia, só que com cinco homens, seguindo a essência do "stand up", apresentada em pé, no palco, sem qualquer artifício, somente com microfone.

Na peça "50 Minutos", ela também explora o universo feminino. "A mulher já passou por tanta coisa. Somos herdeiras de uma liberação sexual, mas ainda há muitas contradições, é algo inspirador para abordar em um espetáculo durante uma conversa entre paciente (interpretada por Carol) e sua psicanalista". Em entrevista ao Vila Mulher, ela revela mais detalhes da sua trajetória até aqui.

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Como foi o processo de criação em 50 minutos?

Na verdade, o texto é maior, só que para transformá-lo em peça, tive que pensar nos custos. Mexi muito para economizar e tornar algo viável. Também fui atrás de pessoas bacanas que pudessem trabalhar na parceria, com um elenco reduzido. Está sendo ótimo trabalhar com a Andréa Barreto e a Nany People, na direção. Agora estou finalizando mais um texto que falar sobre mulheres, sobre mães e filhas, mas não vou tocar um papel.

Quais saias-justas engraçadas já aconteceram com você, principalmente com "Humor de Salto Alto"?

Isso foi mais no início, quando eu batia na porta dos bares e pedia para falar cinco minutos e os homens já viravam a cara. Na apresentação, a gente fala de TPM, dieta, e as diferenças entre homens e mulheres, sempre explorado no stand up. Claro que a gente faz uma crítica de leve sobre eles, sobre aqueles que dizem que "pegam baranga" na balada, mas se você olhar para eles, nem bêbada dá para encarar, e por aí vai.


E como a filosofia entra nessa história? Ela te ajuda na carreira de comediante?

Sim, com o exercício do pensar e de observar as pessoas conseguimos uma olhar mais apurado e detalhista. Me sentia muito sozinha na vida acadêmica. É um mundo fascinante, mas eu gosto de palco e ter contato com as pessoas.

Por Juliana Lopes

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