Profissão Agente de Viagem de Incentivo

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Profissão Agente de Viagem de Incentivo

Há momentos da vida que muita gente quer dar uma virada total na carreira, ir em bucsa de novas experiências. É o que aconteceu com o dentista José Armando Borges, de 54 anos. Sua paixão por viagens, interesse por história e geografia e habilidade no trato com as pessoas contribuíram para que ele deixasse o consultório de lado e se tornasse um agente de viagem de incentivo. Um dia ele foi convidado por um amigo para acompanhar um grupo que viajaria para a Grécia. Ele gostou tanto da experiência que não largou mais. E isso já faz 12 anos.

José diz que já visitou mais de 40 países e explica que a viagem de incentivo proporciona atrações que uma agência normal não consegue, ou porque ela não possui o pacote ou porque o cliente não tem condições financeiras para bancar. "O cliente tem acesso a hotéis e lugares diferentes. É a típica viagem que serve para deslumbrar o passageiro". Entre os passeios inusitados estão safári na África, uma expedição pelo deserto, cruzeiro próximo ao Pólo Sul. "Você leva pessoas para festas em palácios ou para tomar wisky numa geleira", revela.

O pacote de uma viagem de incentivo é feito sob medida. Tudo depende do destino e do valor que a empresa pode pagar pela viagem. O processo é o seguinte: a empresa procura uma agência do ramo. Definido o destino, a unidade contratada entra em contato com uma DMC (Destination Management Company), que é agência de viagem de incentivo situada no local a ser visitado, e juntas montam um roteiro. "Mostramos para o cliente, que pode retirar ou acrescentar algo, antes de fechamos o pacote e o valor", explica José Armando.

Por conta do trabalho, o ex-dentista passa pouquíssimo tempo em casa, cerca de uma semana por mês. "Quem pretende entrar nessa área, precisa ter conhecimento dos procedimentos aéreos (bilhetagem, embarque, conhecer aeroportos e tempo de embarque), de turismo, cultura geral, geografia e história", ressalta José que anos atrás fez um curso técnico de turismo. A remuneração varia de acordo com o número de viagens feitas e não oferece nenhum tipo de benefício social (previdência, INSS). "Eu me encarrego de pagar meu plano médico e de previdência", lembra.

Outro quesito básico é saber lidar com gente. "O agente trabalha com um grupo especial, que está sendo reconhecido por uma grande empresa. Portanto, são pessoas importantes, cujo trabalho e produtividade renderam frutos. Não é uma excursão qualquer. Esse grupo precisa ser mimado. Diferente de geladeiras e carros, que são presentes que se apagam com o tempo, a viagem fica na memória para sempre", afirma Borges.

Nessas viagens, o agente conta que teve a chance de andar pelo deserto e conhecer o Monte Fuji, as geleiras e os elefantes na África, enfim, coisas que pareciam impossíveis. Mas lembra: apesar de momentos especiais, quem deve mesmo se divertir e curtir a viagem são os clientes. "Não podemos esquecer de que estamos lá a trabalho, não fazemos parte da viagem. A empresa que nos contrata espera de nós um trabalho de guia. Caso contrário, esse funcionário não será mais solicitado pela agência."


No Brasil, o turismo de incentivo ainda tem a força de deveria. Existem poucas DMCs no país e, com isso, o turismo receptivo ainda é pouco evidente. "Talvez com a Copa do Mundo e com as Olimpíadas, esse quadro mude um pouco", pensa José, que atualmente está em São Paulo recepcionando um grupo de estudantes da Universidade da Califórnia que veio para o Brasil participar de eventos e conhecer algumas cidades, entre elas São Paulo, São José dos Campos e Rio de Janeiro.

Por Juliana Falcão (MBPress)

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