Praticar é o melhor exercício para escrever melhor

Praticar é o melhor exercício para escrever melhor

Nos dias de hoje, escrever bem passou de luxo à necessidade. Isso porque, ao contrário do que se pensava, o computador exige que as pessoas escrevam sempre. É fato que o significado de escrever e a própria linguagem foram profundamente modificados pelo mundo virtual. Com isso, uma boa escrita ficou ainda mais fundamental na hora de conseguir um emprego, por exemplo.

Para o educador e conhecido escritor Içami Tiba, escrever é tão importante quanto falar bem. "Existem ambientes em que escrever é essencial, como no trabalho", diz. Eliana Silva, professora do Curso de Letras da Universidade Cidade de São Paulo (UNICID), partilha da mesma ideia e acredita que o ato de escrever propicia uma melhor interpretação do mundo. "Escrever bem é desvendar o mundo que envolve a pessoa, de modo que ele possa ser representado de acordo com a visão de quem o observa".

É curioso o fato de que tantas pessoas escrevam da mesma forma que falam. "Como escrever corretamente dá trabalho, muita gente prefere fazer isso da maneira mais fácil. Hoje, as pessoas querem fazer o que é rápido, não importa se está certo ou não", lamenta o educador. A professora acrescenta um motivo para a escrita de acordo com a fala. "A provável causa disso é a falta de leitura; a pessoa não possui referências de escrita em que se apoiar; logo, escreve como fala".

Mas, cuidado para não confundir as coisas. Uma frase que já caiu no senso comum é "a boa escrita depende da boa leitura". Mas, não é bem assim. Afinal, a escrita e a leitura são exercitadas em partes diferentes do cérebro. Quem nunca recebeu um e-mail com palavras em que as letras estavam embaralhadas e conseguiu ler todas? "Não é lendo que se aprende a escrever, e sim escrevendo. Escrever é o melhor exercício para escrever melhor", explica Içami.

Claro que a leitura contribui para um enriquecimento pessoal e pode, em tese, proporcionar melhores ideias na hora de escrever, mas isso não é regra. "A leitura serve, com certeza, para enriquecer o vocabulário, mas não para ensinar a escrever", fala o escritor.

E será que vale tudo na hora de ler, até gibi ou aquele e-mail que conta uma piada? Pelo jeito, vale sim, com algumas observações. "Parodiando o verso da música que diz que "toda maneira de amor vale a pena", toda leitura pode contribuir para a formação do escritor, mas isto não depende apenas de modelos de escrita, mas do amadurecimento emocional e intelectual de quem escreve. Vale destacar que não apenas a leitura da palavra é recomendável, como também a leitura de outros códigos, como a imagem, a dança, uma obra arquitetônica", afirma a professora.

Eliana, que fez mestrado em Linguística e Semiótica pela Universidade de São Paulo (USP), reforça outros pontos que podem contribuir para a formação de um estilo próprio de cada indivíduo. "Sem dúvida alguma a leitura é um excelente hábito que contribui para a prática da escrita; contudo, para o desenvolvimento da boa escrita, que é outra coisa, importa que sejam observados no texto lido alguns aspectos: a informação nele contida, o vocabulário empregado pelo autor, a sintaxe do texto, isto é, o arranjo das palavras nas frases e das frases no texto, além da intenção comunicativa de quem o escreveu, sim, pois quem escreve bem sempre o faz com um propósito previamente definido".


Então, para escrever bem, é necessário escrever. E sempre. A leitura serve de apoio, pois traz mais vocabulário, deixando o texto bem elaborado. Içami, que lançou recentemente o livro "Família de Alta Performance" (Integrare, 2009), conta que o exercício da escrita melhora com a prática. "Quanto mais se escreve, mais rápido se faz isso, principalmente se o texto não for cópia. Com o tempo, o raciocínio também se torna mais veloz".

Por Priscilla Nery (MBPress)

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