Poucas mulheres na política

Entender a mulher no mundo do trabalho, especialmente as mulheres que são mães, é o foco do meu trabalho nesses últimos 3 anos. Leio tudo ou quase tudo que está relacionado direta ou indiretamente com o tema.

Recentemente tive o privilégio de ler muitas coisas que me ajudaram a alimentar minhas ideias sobre um aspecto específico: o que as mulheres querem no ambiente profissional?

Neste último domingo, dia 25 de outubro, no caderno Feminino do Estado de São Paulo, a matéria "A casa das 5 mulheres", escrita por Vera Fiori, me chamou a atenção. Nela são apresentados dados interessantes sobre a presença de mulheres nos cargos importantes da política, como é o caso das posições dentro das Câmaras Municipais. Para se ter uma ideia, na cidade de São Paulo, talvez a cidade mais "moderna" do país em termos de pluralidade e diversidade, temos apenas 5 vereadoras num universo de 55 cadeiras! Ou seja, 50 vereadores e 5 mulheres.

Mesmo com leis que garantem cotas de 30% de mulheres na lista de candidatos dos partidos, o número de mulheres que se interessam por entrar na vida política ativa é bastante baixo. Em São Paulo, no ano passado, as candidatas a vereadoras representavam aproximadamente 23% do total. No Rio de Janeiro a situação não era diferente, quase 23% do total. É claro assim o descompasso existente entre a lei que define cotas e o interesse feminino por esses espaços.

Claro, na área política existem muitos fatores que interferem nesse descompasso, tais como recursos financeiros para as campanhas, vontade política, as mulheres acreditarem mais em si mesmas, cumprimento da lei dos 30%, além de outras questões. Mas, creio que, ao lado de todas essas justificativas, há uma outra que também interfere na liderança das mulheres em outras áreas, fora da política: a falta de interesse, ou melhor, a priorização de outras frentes da vida em detrimento da dedicação absoluta à carreira.

Dedicar-se à vida política significa renunciar a muitas coisas. São horas, dias, meses de campanha para que seu nome "vingue’ no mundo dos eleitores. Depois de eleita, ainda mais para as mulheres, é hora de provar a competência, muitas horas de trabalho, compromissos e sacrifícios.


A dúvida que fico é: será que as mulheres querem isso? Será que elas estão dispostas a abrirem mão do contato maior com a família para essas horas dedicadas à política? Lembro do movimento "womenomics", iniciado nos EUA por duas jornalistas americanas (Katty Kay e Claire Shipman). Elas pregam que as mulheres estão em busca de maior flexibilidade de horários e, acima de tudo, privilegiando o equilíbrio entre vida pessoal e profissional. E que, mesmo assim, conseguem melhores resultados nas empresas do que a gestão exclusivamente masculina.

Cecília Russo Troiano é psicóloga, sócia-diretora da Troiano Consultoria de Marca e autora do livro "Vida de Equilibrista". Casada e mãe de 2 filhos, ela afirma que é mãe equilibrista, vive sua vida tentando equilibrar "pratinhos". Email - cecilia@troiano.com.br Venda do seu livro pelo site www.vidadeequilibrista.com.br

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