Políticas para mamães nas empresas

Políticas para mamães nas empresas

Para nós, mulheres, é difícil conciliar carreira, filhos e interesses pessoais, ainda mais quando a sociedade cobra que sejamos super-mulheres. Assim, muitas acabam desistindo de construir carreiras mais sólidas e bem-sucedidas para se dedicarem à família.

Entretanto, algumas empresas entendem as necessidades da mulher moderna e oferecem certos privilégios que, embora sejam considerados mordomias, nada mais são do que direitos, os quais todas as mulheres deveriam desfrutar.

Entre as companhias "amigas da mulher", observamos que as de maior destaque são as que, de alguma forma, tem em seu foco o público feminino - como os nossos exemplos: Natura, Avon e Unilever.

Na Natura, 63% de seu quadro de funcionários são do sexo feminino. E elas também mandam: 55% dos gerentes da corporação e 30% dos diretores são mulheres.

Segundo a assessoria da empresa, na sede em Cajamar, grande São Paulo, atualmente, é mantido um berçário com mais de 125 crianças atendidas até os quatro anos de idade. O benefício se estende também à unidade de Itapecerica da Serra, que recebe cerca de 25 crianças. As funcionárias das demais unidades recebem o auxílio creche, por não terem berçários nas operações.

Assim como a Natura, a também fabricante de cosméticos Avon Brasil foi uma das primeiras empresas a adotarem a licença-maternidade de seis meses. Fazendo jus ao slogan "The Company for Women" (A Empresa para Mulheres, em tradução livre), a Avon - que tem 65% de sua força de trabalho nas mulheres, ocupando 55% das posições de liderança e 50% dos cargos de diretoria -, ainda elaborou programas para atender suas funcionárias.

"Um exemplo é o ‘Programa Qualidade de Vida’, que oferece berçário para os filhos de funcionárias até os dois anos de idade, auxílio-creche para aquelas que trabalham fora das unidades físicas, curso para gestantes realizado duas vezes ao ano, atendimento de médico ginecologista nos ambulatórios das unidades duas vezes por semana, nutricionista, fisioterapia preventiva e programas antitabagismo, entre outros", explica a Diretora de Comunicação da Avon Brasil, Kátia Gianone.

Além disso, a empresa defende causas específicas: as campanhas "Fale Sem Medo - Não à Violência Doméstica" e "Avon contra o Câncer de Mama", segundo Kátia, tem destinado recursos importantes de conscientização e cuidado em projetos como a criação de centros de prevenção do câncer de mama, desenvolvimento de pesquisas e portais de esclarecimento à população sobre violência doméstica.

A Unilever também se destaca quando os assuntos são os direitos da mulher. Segundo Tatiana Goldberg, gerente de desenvolvimento organizacional, a multinacional, a exemplo das companhias já citadas, dispõe de um berçário com capacidade para atender 60 crianças de zero a dois anos.

"O serviço é gerenciado por um parceiro que além de oferecer toda a metodologia educacional e de desenvolvimento infantil, também dá suporte aos pais em acompanhamentos mensais e palestras", detalha Tatiana.

Além disso, os horários são flexíveis - a Unilever criou um programa chamado Feel Good, explicado pela gerente de desenvolvimento: "Uma das frentes de atuação desse projeto é o Feel Free, na qual o funcionário pode trabalhar de fora do escritório, ter a tarde de sexta-feira livre e ainda tirar licenças não remuneradas".

A empresa - onde mais de 30% dos cargos de gerência e diretoria são ocupados por mulheres, que tomam decisões principalmente nas áreas de marketing, comunicação e relações governamentais - também aderiu voluntariamente ao Programa Empresa Cidadã, destinado à prorrogação da licença-maternidade de 120 a 180 dias, a exemplo das já citadas Avon e Natura.

Mulher no mundo corporativo

Tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, apenas 3% das empresas possuem mulheres em cargos de CEO, segundo o jornal Folha de S. Paulo, sendo que, nos cargos de trainees e analistas, a porcentagem está próxima aos 50%.


Entre as grandes empresas brasileiras cujas CEOs são mulheres, estão a General Motors (Denise Johnson), Sabesp (Dilma Pena, ex-secretária de Saneamento de São Paulo e primeira mulher a ocupar o posto) e Magazine Luiza (Luiza Helena Trajano). Fora do mundo corporativo, 20 mulheres ocupam os postos de Chefe de Estado ou primeiras-ministras - o que inclui nossa presidenta Dilma Rousseff - e, no Brasil, 57 mulheres foram eleitas ou reeleitas para o Congresso em 2010.

Entretanto, considerando as 36 maiores economias, a média global de mulheres em cargos de gerência sênior, ainda segundo o periódico, está abaixo de 25%.

Por Ana Paula de Araujo (MBPress)

Comente