Carreira - na produção de petróleo mulher também tem vez!

Na produção de petróleo elas também têm vez

Ariane Bernardo de Medeiros. Foto: reprodução

Em tempos de descoberta do pré-sal na Bacia de Santos, o que não faltam são pessoas de olho no futuro profissional no setor do petróleo. Para as mulheres, mais competitivas do que nunca no mercado de trabalho, as oportunidades também existem! Várias delas, porém, já atuam em plataformas da Petrobras há muito tempo, provando que têm talento e capacidade de superar desafios até mesmo em funções desempenhadas na maioria por homens. Com um detalhe: mesmo lá, em alto mar, distante dos filhos e da família por longos períodos, continuam comandando o lar, sem se esquecer de que são mulheres vaidosas e que desejam estar de bem consigo mesmas.

Ariane Bernardo de Medeiros, 42 anos, mãe de uma menina de 6 é uma delas. Trabalha na Petrobras há 21 anos e há 11 atua como coordenadora de Produção na P-27, enfrentando uma jornada de 12 horas por dia (das 7h às 19h) em regime de sobreaviso, ou seja, se houver necessidade, pode ser chamada fora desse horário.

Para dar conta do trabalho, um de seus maiores desafios é ter de se ausentar de casa por um período de 14 dias a cada jornada. Se vale a pena? Ela garante que se sente realizada e dá força para quem pretende ingressar na mesma área. Confira a seguir.

Como é o seu dia-a-dia na P-27 da Petrobras?

Basicamente coordeno o trabalho de manter a produção de óleo e gás garantindo os parâmetros de qualidade e quantidade definidos, sem perder de vista os aspectos e impactos dessa atividade no meio-ambiente, na saúde e segurança.

Os desafios são muitos: é preciso conhecer os equipamentos, acompanhar o comportamento do reservatório e dos poços de petróleo, lidar com o confinamento, a ausência de casa, os prazos definidos para a conclusão das tarefas, as dificuldades de disponibilizar recursos humanos e materiais por estarmos em alto mar... E justamente por apresentar tantos desafios, nossa atividade proporciona um aprendizado muito rico não só na área técnica como pessoal: a necessidade de estudar sempre, conhecer as novidades da área e desenvolver o relacionamento com a equipe são alguns exemplos.

Por que escolheu esta profissão, normalmente desempenhada por uma maioria de homens?

A minha formação original é na área de eletricidade. Escolhi uma área técnica, primeiro pelo meu interesse por cálculos e máquinas, e depois por reconhecer que o campo de trabalho é bastante promissor. Na verdade, não levei em conta que esse seria um trabalho para homens e sim para quem quer desafios e é assim que eu classifico a função que tenho hoje na Petrobras: uma grande oportunidade de acrescentar conhecimento à minha formação original e estar onde as coisas acontecem.

Por conta do trabalho, você é obrigada a ausentar-se de casa por longos períodos. Como faz para conciliar seu trabalho com o papel de mãe?

Sim, para cumprir minha jornada preciso me ausentar de casa por um período de 14 dias. Na prática, conto com a ajuda da família, porque nesse período é preciso "terceirizar" os cuidados com a casa e principalmente com minha filha, que tem 6 anos. A gente conversa bastante sobre o meu trabalho, o que acaba sendo positivo para que ela encare minha ausência como uma parte positiva do nosso dia-a-dia. Minha rede de apoio é formada pelo meu marido, pelas avós e pela nossa ajudante. Eventualmente as tias também entram no circuito. A saudade é grande e, quando estou de folga, minha atenção fica bem concentrada na família. Para conciliar o papel de mãe e profissional, pesa bastante saber que posso confiar totalmente no meu apoio de terra e também mantenho contato via telefone e e-mail.

Quando pensamos na minha forma de trabalho sempre nos lembramos da etapa do embarque, mas não podemos esquecer que a contrapartida são 21 dias de folga.

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É possível cuidar da aparência mesmo atuando em uma plataforma?

As mulheres sempre vão conseguir dar seu toque onde quer que estejam. Claro que temos regras na plataforma: o uso de equipamentos de proteção, que são capacete , uniforme, botas, além de ser proibido, por segurança, o uso de anéis e brincos na área industrial. Mas isso não impede que pequenos detalhes não sejam esquecidos, como o perfume, o batom, o esmalte. A vaidade maior é deixada para o dia do desembarque e durante a folga.


A descoberta do pré-sal da Bacia de Santos tem motivado muitas mulheres a se capacitarem para trabalhar nessa área. O que você diria a elas?

Posso dizer que vale a pena. O trabalho é muito diferente, temos muitos desafios, e é uma experiência muito interessante, mesmo para quem depois mude de área na Petrobras. As oportunidades são iguais para homens e mulheres e existe muito espaço para o desenvolvimento de toda a equipe.

Por Adriana Cocco

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