Pesquisa mostra que brasileiras estão mais empreendedoras

Pesquisa mostra que brasileiras estão mais empreen

Que mulher nunca pensou em abrir uma empresa? E muitas vezes a diferença entre sonhar e tornar esse desejo realidade é apenas uma atitude, que elas estão tomando com mais frequência. De acordo com a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor, realizada pelo Sebrae, em 2009 a taxa de empreendedorismo das mulheres brasileiras no país (53%) superou a de homens. Tal fenômeno só foi observado em mais dois países: Guatemala e Tonga.

Isso coloca a brasileira como uma das mais empreendedoras do mundo. O setor de franquias é um dos que apresenta grande participação feminina. Na área de franchising no Brasil, 38% dos franqueados são mulheres. Só na rede de ensino de idiomas CNA, elas representam 60%. Uma dessas empresárias de sucesso é Sed Aquino. Ela era aluna da CNA e sempre sonhou em ter seu próprio negócio. Após um tempo, tornou-se professora da rede, e lecionou por seis anos.

Sed pretendia ter uma escola de idiomas. Por isso, conversou com sua família e resolveu abrir uma franquia da CNA em Carapicuíba, na Grande São Paulo. "Como eu já conhecia o método da escola, achei mais fácil e mais seguro abrir uma franquia", justifica. Hoje, ela e os familiares são proprietários de seis franquias da escola de idiomas.

Só que nem tudo foram flores. A empresária enfrentou muitas dificuldades durante o processo de abertura da franquia. Primeiro, uma unidade da rede já havia sido aberta em Carapicuíba, mas faliu. Então, Sed levantou dados e descobriu que a antiga escola de idiomas tinha muitos alunos e provavelmente teria falido por má administração. Além disso, ela conta que chegava a trabalhar 15 horas por dia no começo do empreendimento. "Quem tocava a empresa era eu e mais uma sócia. Alguns dias tínhamos que chegar às 7h30 e só podíamos sair quando fechavam as portas, às 22h30. E até hoje é assim, na época de abertura de alguma nova franquia", declara.

Mulher atuante num mercado machista

Mara Berti é outro exemplo de empresária bem-sucedida. Ela trabalhou durante três anos numa fundição de alumínio em Nova Hamburgo, no Rio Grande do Sul. Em outubro de 2007, o grupo responsável, que era de São Paulo, resolveu fechar aquela unidade da empresa. "Passado o primeiro susto da possibilidade do desemprego aos 40 anos, eu decidi, munida da experiência de 22 anos na área comercial e nove anos no setor metal mecânico, que essa era a oportunidade de iniciar um negócio próprio", relata.

Um mês após o fechamento da antiga empresa, Mara inaugurava a MMB Representações, já que tinha clientes e empresas interessadas em seus serviços como representante.

Mara também encontrou resistências para estabilizar os negócios. Com a empresa aberta há menos de um ano, ela encarou a crise mundial, que se instalou em setembro de 2008. Os familiares tiveram papel fundamental para que a nova empresária não abandonasse o barco. "Foram meses difíceis, nos quais pude contar com o apoio de minha família, principalmente meu marido, meus sogros e meus pais, que não permitiram que eu desistisse", declara.

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Além disso, Mara enfrentou - e enfrenta - preconceito por ser mulher e estar numa área considerada própria de homens (metal mecânico). Ela conta que, geralmente quando vai visitar um novo cliente, encontra algum vendedor ou representante que sempre pergunta se ela vende telefonia móvel ou plano de saúde. "Dificilmente passa pela cabeça deles que eu venda matéria prima ou insumos e que eu seja um concorrente direto deles. Nessas horas bom humor e jogo de cintura são imprescindíveis para responder", brinca.

As duas empresárias concordam que alguns atributos femininos ajudam na administração de seus negócios. Mara acredita que "o fato de as mulheres serem mais cuidadosas, mais exigentes e perfeccionistas é benéfico". Sed ressalta que o ramo de escolas tem, tradicionalmente, grande presença feminina. "Isso acontece porque é uma área em que se trabalha com sonhos das pessoas, e a mulher tem uma capacidade mais apurada de se colocar no lugar dos pais ou dos alunos", explica.

E, para você que se inspirou no exemplo dessas mulheres bem-sucedidas profissionalmente, e quer montar sua empresa, o primeiro passo é vencer, ou pelo menos administrar o medo, tão comum em situações desconhecidas.

"E tenha sempre uma agenda organizada para não deixar nada de lado. É preciso dedicar tempo ao trabalho, família, lazer", aconselha Sed.


"Tenha muita perseverança, força, pois as críticas e os obstáculos fazem parte do caminho", orienta Mara. Ela lembra que será necessário trabalhar bastante antes de ver a empresa lucrar. "Tenho como lema uma frase de Albert Einstein: ‘O único lugar aonde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário’", finaliza.

Por Priscilla Nery (MBPress)

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