Patchwork premiado

Patchowork premiado

Célia Maria Blanc Araújo e a peça “Calçadão de Copacabana”

O artesanato permeia a vida das mulheres de muitas formas. Como terapia, para complementar a renda, ou ainda é uma forma de trocar de carreira. Entre várias histórias por ai, uma delas é de Célia Maria Blanc Araújo, hoje professora de patchwork.

Depois de trabalhar como produtora de cinema, na rede Globo, e em produtoras, como Movie e Art, além de Olhar Eletrônico, a artesã com formação em artes plásticas teve seu primeiro filho. Por acaso, ela começou a dar aulas de patchwork para outras mães e funcionárias da escola da criança.

Até que um dia, ela conheceu a aluna Márcia Riscali. Juntas participavam de feiras e concursos pelo Brasil, uma forma de buscar novas técnicas e aplicações para o patch, em bolsas, colchas, jogos americanos e outros itens.

Mais tarde, o sonho de montar o próprio negócio virou realidade. Hoje com três meses, o Armazém do Patch, em São Paulo, só traz alegrias para Célia e Márcia. "Nossas alunas são verdadeiras amigas, que dividem com a gente tardes bastante agradáveis. Algumas estão comigo há mais de quatro anos. Trabalhamos com mulheres com câncer que encontram no artesanato uma forma de encarar melhor a vida", conta.

Recentemente, Célia também foi a vencedora do II Concurso Bossa Nova da revista Patch&Afins - SENAC/SP, na categoria iniciante. A peça chamada "Calçadão de Copacabana", reúne pedrinhas diversas e tecidinhos diferentes. A campeã na categoria Master foi a gaúcha Sabrina Moeller da Rosa, com a peça "O Tom da Bossa Nova". Artesã "por pura paixão", Sabrina também é servidora da justiça estadual do Rio Grande do Sul.

Patchowork premiado

Sabrina Moeller da Rosa e a peça "O Tom da Bossa Nova"

"Meu pai era funcionário da Varig e artesão. Já minha mãe, professora e costureira. Fomos morar em Portugal por conta da profissão dele e lá as escolas ensinavam os dotes manuais. Essa é a minha herança".

Mãe de dois filhos, Sabrina, de 44 anos, consegue se dividir entre os trabalhos de casa, como servidora pública e os trabalhos manuais, principalmente colchas, almofadas, filtros de água, bolsas e painéis. Autodidata, ela busca informações em revistas especializadas e adora participar de concursos, principalmente os da cidade de Gramado.

"Gosto de saber a reação das pessoas do meu trabalho, qual o impacto que proporciono. Isso faz a gente crescer nos próximos projetos". Em seu mini ateliê na própria casa, ela já tem três máquinas de costura, duas que ganhou em concursos e mais de 600 estampas diferentes de tecidos.

Devido às características das técnicas usadas, "quantidade de quilting e manejo de máquina", ela já é considerada master. Para este último concurso, o processo criativo envolveu o estudo de músicas populares brasileiras. "Três músicas doram o ‘norte’ ao projeto: Tarde em Itapoã, Pela luz dos Olhos teus e Corcovado. Imaginei um violão que estivesse saindo do trabalho, com vontade de ser tocado, nas mãos de algum cantor. Quando eu penso em bossa nova sempre me lembro de ter ouvido as canções tocadas em violão", conta.

Além da máquina de costura, Sabrina ganhou 1000 reais e kits de patchowork. E claro, mais confiança para no futuro realizar o mesmo sonho de Célia, montar o próprio ateliêr e dar aulas. "Assim que eu me aposentar terei o maior prazer de investir de verdade no patchwork".


Por Juliana Lopes

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