"Parem de falar mal da rotina"

Parem de falar mal da rotina”

Foto/Divulgação

Rotina, mesmice, marasmo ou monotonia. Não importa o nome. Basta que um desses adjetivos permeie nossa vida para que entremos em pânico. A maioria das pessoas tem medo do cotidiano que inevitavelmente se repete todos os dias. Há um temor social de ficar preso no limbo de hábitos e costumes que não se alteram com o passar dos anos. Mas nem sempre o dia a dia deve ser encarado dessa forma. Quem tentou mostrar isso por meio de uma peça de teatro - que se converteu em livro - foi a atriz Elisa Lucinda.

Na obra "Parem de falar mal da rotina", lançada pelo selo Lua de Papel, da editora Leya, Elisa faz uma ode ao cotidiano e às coisas simples da vida. A idéia principal é mostrar aos leitores que são eles que criam suas limitações diárias e que já que a rotina não vai desaparecer devemos encará-la de frente e reinventá-la. A atriz e escritora explica como: "Não tem mistério. Ela [a rotina] é produzida por nós e se diferencia de acordo com as pessoas. O que eu quero dizer é que estando conscientes disso, podemos traçar um bom roteiro para viver de uma maneira melhor", diz.

Elisa, que é autora de outros sete livros além de "Parem de falar mal da rotina", recomenda que, a fim de fugir da mesmice, as pessoas passem a limpar os olhos antes de observar o mundo ao seu redor. "Temos que ver a beleza de um dia nublado, quantas nuances tem um pássaro preto. E apagar o preconceito que a gente tem com tudo: ‘Ah, o dia está feio! Ah, o dia está nublado’. Cada dia deve ser visto como novo", conta Elisa num tom de incentivo.

Quando o assunto é trabalho, a atriz e escritora mostra que não é diferente. De acordo com ela, se observamos a rotina nesse campo sob um olhar pessimista o trabalho se torna pobre. Para explicar, ela usa os médicos como exemplo: "Se eu começo a ir para o trabalho achando que eu tenho uma boiada pra atender no hospital, por exemplo, o trabalho não vai para frete. É preciso notar que cada paciente é uma história diferente. Assim meu trabalho nunca vai ser maçante".


As observações de Elisa, que é jornalista formada, surgiram em 2002, com a peça que se chama "Parem de falar mal da rotina" e se transformou em livro de mesmo nome no ano passado. Um exemplo significativo de como trazer resultados àqueles que procuram encarar a vida de uma maneira diferente ocorreu em Barcelona, onde a atriz fez cerca de 100 apresentações da peça. Uma senhora contou a ela que havia trocado nada mais nada menos que suas pílulas antidepressivas por uma sessão diária do espetáculo.

Por Giulia Lanzuolo (MBPress)

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