Para as centralizadoras

Para as centralizadoras

Calma, calma, o título não é motivo de pânico.

Fiquem tranquilas, não vou inundar essas linhas com ataques politicamente corretos, demonizando o seu estilo de administrar, ou mesmo afirmar que você deve adotar o comportamento A ou B.

Muito pelo contrário, caso seja você uma profissional centralizadora encontrará aqui um refúgio de compreensão. Não se trata necessariamente de uma defesa em prol do seu modelo de gerir, mas um alento diante dos intermináveis ataques ao seu estilo de trabalhar e administrar, movido por revistas especializadas e especialistas em gestão empresarial.

Pregam insistentemente que centralizar decisões e ações não é recomendável para uma boa gestão, e alertam que isso acaba atrofiando a capacidade operacional e gestora da sua equipe.

Mas é possível que mesmo com tudo isso, e após tentar, se esforçar e refletir, você tenha concluindo que não é capaz de descentralizar e delegar. É possível também, que tenha chegado a conclusão de que não acredita na eficiência de um modelo onde vigoram a delegação das tarefas e o compartilhamento das decisões.

Tudo bem, isso não o fim do mundo, e saiba que existe solução.

Penso que um dos defeitos do mundo corporativo é justamente a dificuldade de entender e aceitar as pessoas da forma como elas verdadeiramente são. Tentam permanentemente manipular, induzir e pressionar por comportamentos x, y ou z, sempre propalando a catástrofe para aqueles que resistem as mudanças impostas.

Mas como humanos, por conta disso repletos de limitações, nem sempre conseguimos implementar todas as mudanças comportamentais que nos são cobradas. Isso sem contar que diante de algumas delas, decidimos categoricamente por resistir.

No entanto, a experiência e o tempo acabam provando que a grande verdade é a não existência de regras e nem de modelos fixos (na verdade mutantes a cada nova modinha corporativa), para se tocar uma empresa ou uma equipe.

Conscientes disso, e assumindo que muitas gestoras não conseguem ou não querem modificar o seu estilo centralizador, destacamos abaixo uma série de dicas que podem atenuar os eventuais defeitos desse modelo, e claro, maximizar os benefícios de suas virtudes.

Vamos lá:

1) Assuma para você mesma que é centralizadora e que não pretende modificar o seu comportamento;

2) Entenda que podem existir algumas virtudes nesse modelo, dependendo da capacitação e maturidade da equipe que você controla. Isso significa que diante de uma equipe com média qualificação, e com senso de responsabilidade ainda não totalmente desenvolvido, a centralização pode ser inevitável;

3) Crie um mecanismo estruturado que permita um fluxo completo, sistemático e regular de informações, possibilitando o monitoramento das principais atividades;

4) Estabeleça uma estrutura de medidores de desempenho, permitindo uma avaliação permanente;


5) Institua reuniões programadas e periódicas para as quais os participantes devem se preparar, portando todas as informações necessárias para que as medidas corretivas e de ajuste possam ser imediatamente implementadas;

6) Promova e pratique uma atitude pessoal de cordialidade e respeito. Isso atenuará os incômodos que as suas eventuais intervenções podem provocar.

O importante não é seguir modelos impostos e modismos de gestão, mas reconhecer as suas reais limitações e aprender a trabalhar com elas.

Boa sorte.

Gustavo Chierighini, atento observador do universo corporativo, é fundador e publisher da Plataforma Brasil, especializada em informações e conteúdos de inteligência empresarial. www.pbrasilnet.com.br

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