O que muda com a aprovação PEC das Empregadas Domésticas?

O que muda com a aprovação PEC das Empregadas Domé

Grande parte das mulheres da Geração Y, ou seja, que estão entre seus 20 e 30 e poucos anos, trabalham fora e só conseguem manter a casa em ordem graças às empregadas domésticas que se tornaram seu verdadeiro "braço direito".

Devido a essa necessidade e ao consequente aumento da procura por essas trabalhadoras, os salários só têm aumentado. Com isso, estão deixando de caber no orçamento das famílias. É nessa hora que bate o desespero nas mulheres independentes que precisam sair de casa para trabalhar, mas mesmo assim não têm mais condições de pagar o salário das domésticas.

Talvez agora seja mais difícil ainda com a aprovação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) das Empregadas Domésticas. Ela é muito justa para com essas trabalhadoras, algo incontestável, mas, sem dúvida, vai custar mais caro pagar pelos seus serviços. A proposta estende aos empregados domésticos (empregadas domésticas, cozinheiros, jardineiros, motoristas, babás, cuidadores de idosos etc) todos os direitos dos demais trabalhadores regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Dessa forma, terão direito à jornada de trabalho de 44 horas semanais e pagamento de hora extra, que serão válidos imediatamente. E, em breve, terão direto também: indenização em demissões sem justa causa, recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), seguro-desemprego, salário-família, adicional noturno, auxílio-creche e seguro contra acidente de trabalho.

Com todas essas mudanças para beneficiar quem tanto te ajuda, infelizmente, você chegou à conclusão de que realmente não vai ter como continuar pagando seu "braço direito"? E, assim, vai sair do trabalho? Realmente, é uma escolha difícil para você e para todas as mulheres com o mesmo estilo de vida.

Para se ter uma ideia, segundo um levantamento feito pelo Instituto Doméstica Legal, 85% dos patrões podem demitir empregadas após a PEC das Domésticas. A pesquisa ouviu 2.885 patrões entre 19 de novembro de 2012 e 8 de janeiro de 2013. O número de demissões pode chegar a 815 mil.

Diante disso para muitas mulheres parece um retrocesso deixar o mercado de trabalho e ficar em casa. Então, como lidar com essa situação?

"Uma avaliação precisa é necessária, pois essa reviravolta em direção ao lar pode configurar como sendo extremamente retrógrada para as mulheres. Uma vez que conquistaram o tão sonhado e aguardado lugar profissional. Planos "B" têm que entrar em ação, por exemplo, o uso da diarista como uma substituta, o que, em minha opinião, será a tendência mais praticada por não gerar vínculos, sendo mais econômico. Além disso, não distancia as mulheres de suas obrigações profissionais", conta Alexandre Bez, psicólogo e escritor.

É fundamental colocar tudo na ponta do lápis e verificar se dispensar a empregada doméstica será realmente a solução. Segundo o psicólogo, com planejamento e contas feitas, deve-se fazer uma análise direcionada em prol de uma situação confortável. "A volta ao lar pode ser imensamente contraproducente para algumas mulheres. Nesses casos, a dica é abdicar de algumas coisas para o pagamento da trabalhadora."


Mas se mesmo tentando essas opções ainda for inviável mantê-la, primeiro, é preciso comunicar a família. Bez diz que uma reunião se faz realmente necessária para definir uma cooperação geral daqueles que moram na casa, dividindo os afazeres. Com certeza, é algo útil ao dar esse passo difícil.

Após a fase inicial e com uma possível recuperação financeira no futuro, é possível retornar ao mercado de trabalho. Mas haverá algumas dificuldades, como a condição psicoemocional e a necessidade de reciclagem e possíveis especializações. Então, o melhor a fazer ao se afastar, é não deixar de se atualizar, nem que seja com cursos à distância.

Por Marisa Walsick (MBPress)

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