Negócios sobre quatro rodas

Negócios sobre quatro rodas

Foto: Divulgação

Situações desesperadoras pedem medidas desesperadas! E foi dessa maneira que Adriana Bruno e Rolando ‘Massinha’ Vanucci começaram seus negócios. Após algumas decepções que a vida trouxe, os dois empreendedores deram a volta por cima e hoje são grandes exemplos do que podemos chamar de gente que ‘venceu na vida’. Apesar de estarem alicerçados sobre quatro rodas, o caminho não facilitou e foi necessário muita força para passar por cima de certas lombadas. E como a regra da etiqueta já diz tudo, vamos primeiro com as damas.

Em São Paulo, depois de nove anos juntos, o grupo de teatro de Adriana se desmanchou e de brinde veio a separação de seu casamento. Para ocupar a cabeça, no início de 2005, começou a costurar e fazer bolsas: "Eu estava muito triste com tudo o que acontecia na minha vida e essa era uma forma de eu ficar envolvida em alguma coisa enquanto procurava uma solução para a minha vida profissional e financeira", conta a costureira. Mal sabia que essa terapia lhe renderia bons trocos: "Uma amiga pediu pra eu fazer uma bolsa, aí outra pediu também e foi indo, quando me dei conta já estava fazendo e vendendo várias bolsas e pagando meu aluguel!"

A herança que o teatro lhe deixou foi uma van, que na época estava caindo aos pedaços: "O ônibus nem funcionava direito em 2005, só no meio do ano que eu comecei a mexer nele", revela a motorista". E já que sua história sempre foi com o teatro de rua sentiu a necessidade de levar sua arte para o asfalto. Ela nasceu no Rio, mas como seu pai era militar já morou no Piauí, Sorocaba, Belo Horizonte, Brasília e vai saber mais onde! Apesar de ter conhecido o Brasil de ponta a ponta e ter começado seus negócios em São Paulo, a morena não dispensa a capital do país: "Eu sou apaixonada por Brasília, é a minha cidade mesmo, onde eu escolhi viver e agradeço pela oportunidade de me estabelecer aqui com o meu negócio".

Hoje em dia, Adriana voltou a trabalhar como atriz nos palcos e de alguma forma encontra tempo para conciliar suas duas paixões. Maria Berenice, o nome do seu miniônibus e negócio, passeia pelas ruas de Brasília e tem até um site próprio. Nos interiores, o universo feminino predomina com mais de 30 produtos de criação própria. Para o futuro, Adriana nos conta sobre o projeto de um programa de TV: "São entrevistas, com homens, durante um passeio dentro da Maria Berenice, para contar um pouco sobre a cidade de Brasília, a visão dos moradores, as peculiaridades, os bares e os cantinhos daqui".

Adriana começou tudo com apenas R$100 emprestados de sua mãe e hoje vende que nem louca suas bolsas (R$ 30 a R$ 95) e carteiras (média de R$ 58): "Hoje eu tenho perspectivas de muita coisa na minha vida, posso fazer uma peça de teatro com um monólogo contando a biografia da Maria Berenice, escrever um livro das passagens dos lugares ou da própria reinvenção da minha vida, o próprio site também é algo em que posso investir, enfim, tenho mil possibilidades".

Com um começo nada fácil também, Rolando conta o começo de sua batalha: "Após dois grandes tombos financeiros que tomei acabei comprando a Kombi no escuro, eu estava com depressão e sem saber o que fazer surgiu uma esperança". Quando morou em Belo Horizonte, há 23 anos, ele gerenciava uma loja no shopping de BH e analisou, com outros olhos, um mega quiosque de lanches que tinha lá, mas que não tinha em São Paulo, daí viu a oportunidade de um novo negócio.

Dia 1º de junho de 2007 inaugurou a Kombi do Rolando Massinha: "Eu nunca fiz curso nenhum, era empreiteiro de obras, mas sempre gostei de cozinhar". Desde o início de sua cozinha ‘on the road’ Rolando fabrica tudo.

Com ponto fixo na Avenida Sumaré, 1089, o carrinho de massas tem uma clientela super fiel. O cardápio é basicamente o seguinte: Spaguetti e Fettuccine de Espinafre (R$12,50), Nhoque de mandioquinha, batata e recheado com quatro queijos (R$15,50) e Tortellis e Capelettis recheados de muçarela com orégano, massa de beterraba, quatro queijos com massa de espinafre e carne desfiado com massa de cenoura (R$17,50).

O cozinheiro nos conta que o negócio está dando tão certo que podemos aguardar novidades: "Está pra chegar minha Kombi Limousine, ela tem 1,60m de comprimento onde eu vou poder atender mais pessoas". Sua van inicial está ficando limitada para o grande número de clientes que ele abrange.


Isso só nos prova que além da criatividade, a força para vencer na vida é tudo e hoje esses dois batalhadores, que sofreram e já levaram muitos tombos da vida, podem gritar o sucesso e mostrar com exemplos como se deve fazer para alcançar a linha de chegada. O segredo é não desistir e como os dois, encontrar maneiras inovadoras de se fazer o que mais gosta.

Alessandra Vespa (MBPress)

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