Negócio próprio: como evitar os erros mais comuns

Negócio próprio como evitar os erros mais comuns

Abrir a própria empresa, ter seu próprio consultório médico ou escritório de advocacia é um sonho comum entre os profissionais liberais e autônomos em geral. Realizá-lo parece fácil, basta um diploma na mão, um dinheiro extra para começar o negócio e mãos à obra, certo? Errado!

Fábio Zugman, professor de administração e autor do livro "Empreendedores Esquecidos", explica que ao montar um negócio, alguns pontos de extrema importância geralmente não são levados em conta, fazendo com que dificilmente dê certo o sonho de trabalhar por conta própria.

Em primeiro lugar, o erro mais comum cometido pelos novos empreendedores é ter a boa base técnica, pois terminou a faculdade, um curso técnico ou uma pós-graduação, mas não tem noção de como montar e gerir o dia-a-dia do negócio. "O primeiro impasse é que muitos profissionais possuem clínicas, escritórios, alguns funcionários, mas não se vêem como empresários", conta.

Um segundo erro muito comum, segundo Zugman, é que, como foram treinados e dão muita importância ao conhecimento técnico, geralmente os empreendedores acham que basta somente ser bom no que fazem. "Os clientes e pacientes não são especialistas no que o profissional faz, sendo muito difícil julgar pela parte técnica", explica. "Já que não podemos diferenciá-lo somente pelo atendimento que recebemos, usamos diferentes pistas para saber se ele é bom: como é o ambiente físico em que somos recebidos (incluindo questões incômodas como tempo de espera, facilidade de acesso e estacionamento), quem nos recebe, forma de tratamento, grau de confiança que sentimos no profissional, etc", ressaltou.

O terceiro principal erro cometido é não saber se todos os elementos que envolvem a empresa estão presentes. Inicialmente é importante fazer os seguintes questionamentos: "As pessoas sabem que você existe? Você possui conhecimento técnico adequado para o que quer oferecer? Qual a opinião de outros profissionais de sua área sobre o seu trabalho? Você possui recursos suficientes para arcar com os custos iniciais? Será este o momento ideal da carreira para apostar no projeto? Caso você tenha as respostas para elas, está mais perto de realizar o seu sonho", diz o escritor.

Zugman ressalta que a diferença entre um profissional autônomo e outro qualquer, seja um lojista, dono de restaurante ou bares, é que o primeiro vive principalmente do seu conhecimento. No caso de um advogado ou contador, por exemplo, ele só gera lucros com o que aprendeu para ajudar ao cliente. Por isso, coordenar o tempo é muito importante, não só na organização da agenda de atendimento, mas também no tempo destinado ao desenvolvimento dos conhecimentos, captação de mais clientes e aprimoramento do atendimento aos clientes existentes.

Outra dica de Fernando é nunca ver o cliente ou paciente só como um objeto passivo que recebe algum serviço ou conhecimento, afinal, as pessoas que devem se sentir incluídas no processo. "Ninguém gosta de um especialista que não explica direito o que está acontecendo, quais os riscos, nem fornece ao menos uma noção do porquê das decisões tomadas. Todas essas atitudes aumentam a confiança no profissional que o atende", diz.

É preciso lembrar também que o cliente, muitas vezes, está se sentindo preocupado ou vulnerável. Na área da saúde isso é bem visível, mas além do bem estar físico, as pessoas também ficam preocupadas com o valor do serviço, as chances de sucesso e fracasso e com os problemas que podem surgir no meio do caminho. "Dificilmente um cliente ou paciente ficará bravo por algo que você disse que poderia acontecer, mas provavelmente se zangará se aquele procedimentos ‘simples’ que você prometeu começar a dar problemas", afirma.


Por isso, é necessário que os profissionais deixem de lado a resistência em se considerarem empreendedores e compreendam que o trabalho não envolve planilhas e ferramentas, mas sim o estabelecimento de uma rotina que permite que ele compreenda seus clientes, cresça na profissão, ofereça serviços e atendimento diferenciado. Não é isso que todo profissional deseja oferecer a seus clientes?

Por Carolina Pain (MBPress)

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