Mulheres preferem chefes homens

Mulheres preferem chefes homens

Um estudo da Universidade de Brasília (UnB), revelou que tanto homens quanto mulheres preferem ter chefes homens. Aproximadamente 85% das mulheres e 95% dos homens ouvidos na pesquisa concordaram com a idéia de que indivíduos do sexo masculino são mais capazes de exercer a liderança.

Segunda a pesquisadora Amanda Zauli-Fellows, autora da pesquisa “Diversidade e gênero na Câmara dos Deputados: um estudo sobre igualdade de oportunidades entre homens e mulheres”, o resultado mostra, mesmo com as evidências do crescimento da participação das mulheres nos postos de chefia, um forte traço cultural nacional: “Esse fato pode ser atribuído à cultura do patriarcalismo, ainda bastante presente no Brasil, na qual o poder concentra-se sempre nas mãos deles”, comenta.

Para validar a ferramenta de avaliação da pesquisa, Amanda também enviou o seu questionário, chamado Escala de percepção de igualdade de oportunidades entre homens e mulheres, para 604 funcionários de empresas públicas e privadas do Distrito Federal e os resultados foram semelhantes. Só depois disso é que a pesquisa foi iniciada com os trabalhadores da Câmara dos Deputados.

Uma amostra de 1.320 servidores do quadro efetivo da Câmara dos Deputados, foi o bastante para a pesquisadora avaliar que a mulher hoje ainda se vê muito dividida entre as obrigações da casa e do trabalho. “As trabalhadoras não querem abrir mão de suas funções domésticas para ocupar um posto de comando, ao qual terão de dedicar mais tempo, em detrimento do cuidado com a família”, analisa Amanda.

No entanto, apesar dos “chefinhos” serem a preferência, os homens e mulheres também disseram na pesquisa que não se importariam em serem chefiados por mulheres.

Na opinião dos entrevistados, as mulheres delegam mais as tarefas e conversam mais com os funcionários, focando em um modelo de liderança voltada para o relacionamento. Segundo os entrevistados, o homem é mais centralizador e orientado pelos deveres.

Um outro dado curioso das entrevistas revelou que 44,2% dos homens e 54,4% das mulheres não concordam com a idéia de que as trabalhadoras que usam a sedução têm mais chance de ascensão na carreira. “Isto significa que as trabalhadoras percebem o acesso a cargos de direção como um direito comum a todos os funcionários, que deve ser obtido por meio da competência, habilidades e atitudes do empregado”, explica Amanda.

Por Karina Conde

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