Mulheres poderosas - divas da música brasileira

Mulheres poderosas  divas da música brasileira

Da esquerda para a direita: Doris Monteiro, Alice Fernandes, Alaide Costa, Janaína Moreno, Ademilde Fonseca e Aline Paes. Foto: Claudio Rossi/ Argosfoto

Ajustar o foco em mulheres guerreiras e cheias de talento é para nós um prazer. Por isso, o Vila Mulher foi ontem acompanhar de perto o I Prêmio Divas da Música Brasileira.

Promovido pela Elas&Lucros, revista de finanças pessoais para mulheres brasileiras, e Icatu Seguros, o evento realizado no Bourbon Street Music em São Paulo homenageou três grandes divas da música brasileira ainda em plena atividade ― Dóris Monteiro, Alaíde Costa e Ademilde Fonseca, e premiou a jovem cantora Aline Paes, selecionada entre mais de 140 cantoras por um time de peso.

Com propostas musicais diferentes, as finalistas Aline Paes, Alice Fernandes e Janaína Moreno encararam um processo de seleção que durou três meses entre inscrição, audição das gravações e apresentação ao vivo. Trabalho duro e observado por um júri gabaritado: o jornalista Sérgio Cabral, o músico Charles Gavin, a cantora Ná Ozzeti e pelos produtores musicais Cesar Mocarzel e Thiago Marques.

Aos 23 anos, a carioca Aline Paes empolgou a platéia cantando Frevo de Itamaracá, de Edu Lobo. Segundo o músico e jurado Charles Gavin, "Aline está pronta. Além de afinação, ela tem uma identidade musical muito peculiar, diferente do que a gente costuma ouvir no rádio".

A noite foi daquelas memoráveis já que no palco havia dois sentimentos maiores: reverência a três damas da voz e revelação de uma nova cantora. Uma frase dita por Alaíde Costa ao receber a homenagem traduz um pouco do comportamento nada exemplar do Brasil no que diz respeito à render honras aos nossos talentos artísticos: "Em 60 anos de carreira esse é meu segundo prêmio"! As senhoras que pisaram no palco ontem não deveriam ficar surpresas em serem homenageadas, deveriam ser condecoradas exaustivas vezes, pois muito do caminho trilhado por cantoras de hoje foi aberto por elas.

Todas as cantoras se apresentaram acompanhadas da orquestra do Maestro Roberto Sion, responsável pela produção musical do prêmio. Os convidados ainda foram presenteados com uma apresentação inédita de Alaíde Costa, Ademilde Fonseca e Dóris Monteiro, que cantaram juntas e com as finalistas a música "Carinhoso", de Pixinguinha e João de Barro.

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Um pouco mais sobre as Divas homenageadas:

Ademilde Fonseca - Conhecida como "Rainha do choro", a cantora potiguar de 89 anos é até hoje considerada a maior intérprete do gênero. Pioneira, conseguiu transformar o modo como o choro era visto e ouvido: antes exclusividade dos instrumentistas, passou também a ser cantado. Sua estreia em disco aconteceu em 1942, com um 78 rpm que trazia "Tico-Tico no Fubá", de Zequinha de Abreu, com letra de Eurico Barreiros, e "Voltei Pro Morro", de Benedito Lacerda e Darci de Oliveira. Entre seus maiores sucessos, estão suas interpretações para "Tico-Tico no Fubá" "Brasileirinho", de Waldir Azevedo e Pereira da Costa, "Teco-Teco", de Pereira da Costa e Milton Vilela, e "Fala Baixinho", de Pixinguinha e Hermínio Bello de Carvalho.

Alaíde Costa - Foi João Gilberto quem, em 1959, introduziu Alaíde Costa na bossa nova. Nesse mesmo ano, a cantora de voz suave, que iniciou sua carreira profissional como crooner no Rio de Janeiro, gravou seu primeiro LP, Gosto de Você, contendo a canção "Minha saudade", de João Donato e João Gilberto. Participou, em 1964, do programa "O fino da bossa", realizado no Teatro Paramount, interpretando com grande repercussão "Onde está você" (Oscar Castro Neves e Luverci Fiorini), canção que se tornou emblemática em sua carreira. A consagração obtida no espetáculo lhe rendeu um contrato com a TV Record. Além de grande intérprete, é também autora de músicas como "Tudo o que é meu" e "Amigo amado", ambas em parceria com Vinícius de Moraes. Seu mais recente álbum, Alaíde Costa Canta Milton: Amor Amigo, lançado em 2009, é dedicado às composições de Milton Nascimento, que divide uma faixa com Alaíde. Nesse momento, a cantora está terminando a gravação de um novo disco, todo dedicado as composições do amigo e parceiro Johnny Alf, com lançamento previsto para este ano.


Dóris Monteiro - Com 56 anos de carreira, e 73 de vida, é uma de nossas cantoras mais queridas e respeitadas pelo grande público. Na fase de ouro do rádio, foi, junto com Dalva de Oliveira e Ângela Maria, a intérprete que colecionou mais sucessos. Em 1953, convidada por Alex Viany, estrelou o filme Agulha no Palheiro, cantando a música do mesmo nome e sendo premiada por sua atuação como atriz. ". Dóris, que possui mais de 30 discos gravados ao longo de sua carreira, já se apresentou em diversos países, como Japão, Portugal, Uruguai e Chile, entre outros. Das dez Rainhas do Rádio eleitas pela Associação Brasileira de Rádio, Dóris, que recebeu o título em 1956, é a única ainda fazendo shows.

Por Karina Conde

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