Mulheres na liderança

Mulheres na liderança

O "sexo frágil" a cada dia consegue um destaque maior, além de seu lugar de mérito no mercado de trabalho, não dá para discutir. E mais do que isso, vem crescendo tanto em todas as áreas, que muitas mulheres conseguiram chegar ao topo, assumindo cargos e papéis de liderança que antes não faziam parte do mundo feminino.

Exemplos de guerreiras desse tipo são históricos, como Anita Garibaldi, mulher de Garibaldi, relembrada com honras pela participação na luta republicana e, na Itália, por engajar-se na campanha de emancipação; Maria Quitéria, heroína da independência do Brasil, que se passou por homem para lutar pela causa e, mais tarde, foi condecorada por seu ato de bravura; Michelle Bachelet, primeira mulher eleita presidente no Chile, em janeiro de 2006; e Ellen Johnson-Sirleaf, primeira mulher chefe de estado eleita na África.

E o que faz essas mulheres se tornarem líderes? Uma série de fatores pode contribuir, inclusive, esse lado "frágil". "As mulheres têm um estilo de gestão diferente dos homens. Características como intuição, emotividade e versatilidade, tornam a gestão empresarial feminina diferenciada e mais completa", explica o consultor Paulo Silveira, responsável pelo workshop "Liderança Feminina". "Os homens pensam linearmente, uma coisa de cada vez, enquanto o raciocínio feminino é global e multidimensional, tudo ao mesmo tempo".

Paulo lembra que, desde a infância, a socialização de meninos e meninas já é diferenciada. Enquanto meninos competem para vencer, meninas acham meios de vencer e, ao mesmo tempo, agradar. "Mulheres têm mais capacidade para acomodar diferenças, ignorar ataques, estabelecer compromissos", afirma o profissional, também mentor e líder do projeto "Liderança Made in Brazil".

Por isso mesmo, as mulheres que querem se tornar líderes não precisam se desdobrar em mil e tentarem imitar os homens. Aliás, ser ‘mil e uma utilidades’, às vezes, pode até atrapalhar. "Por esta condição ‘multifuncional’, algumas mulheres assumem inúmeras tarefas e, por falta de planejamento e até mesmo por querer provar sua capacidade, acabam acumulando atividades, apertando os prazos e comprometendo a qualidade do trabalho, assim como sua imagem", alerta o profissional, também autor do livro "A Lógica da Reflexão" (Editora Audiolivro, 2008).

Paulo explica que o melhor é ser você mesma, mantendo um estilo próprio, sem se preocupar em adaptar-se aos homens. Mas, mesmo assim, o profissional indica algumas estratégias que podem contribuir para o bom desempenho e promoções dentro de uma empresa, por exemplo.

Primeiramente, Paulo afirma que o melhor a se fazer é exceder às expectativas. "Fazer sempre o seu melhor, com entusiasmo e amor. Infelizmente, hoje ainda, sempre que uma mulher faz o melhor que pode, deve fazer duas vezes melhor que o homem para ser considerada apenas 50% à sua altura. Ainda bem que não é difícil para vocês a superação", enfatiza.

Feito isso, o próximo passo é desenvolver um estilo de conduta no trabalho, que faça com que todos, principalmente gerentes e superiores homens, se sintam mais a vontade com você. "Não adianta bater de frente, impor um comportamento feminista ou coisas do gênero. Este tipo de atitude só vai irritar e reforçar um possível preconceito em relação ao seu trabalho", explica o palestrante.

Você também não pode deixar de lado a rede de relacionamentos. "Network é um conceito hoje fundamental em qualquer área que você atue. "Mesmo internamente na empresa, é primordial", adverte Paulo. Algo um pouco mais complicado e delicado é a rede de relacionamentos informal. Quem convive com um grupo de superiores ou mesmo parceiros na empresa, em sua maioria homens, sabe que as conversas de corredor e a promoção de encontros serão tipicamente masculinas e haverá dificuldades de participar deste mundo.

Mas Paulo deixa claro que não é por isso que você deve beber e frequentar todos os happy hour. "É essencial que você não deixe de participar das reuniões sociais, troque ideias, participe de palestras e outros eventos promovidos pela empresa. Procure estabelecer uma network sólida e diversificada", sugere.


Outro fator que Paulo julga importantíssimo é aceitar missões difíceis e assumir atividades de responsabilidade, que exijam comprometimento e dedicação. "É preciso acreditar no seu potencial, na sua capacidade criativa e de execução, e não se contentar apenas com tarefas supérfluas, com a rotina que ‘qualquer um faz’", explica. Com isso, a mulher também realiza o primeiro ponto, o de exceder expectativas, e acaba se realizando profissionalmente, afinal, prova para ela mesma e para todos que também é capaz.

Por Tissiane Vicentin (MBPress)

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