Mulheres jovens evitam ocupar cargos altos

Mulheres jovens evitam ocupar cargos altos

Foto: Wavebreak Media Ltd./Corbis

Muitas mulheres jovens sonham em trabalhar numa boa empresa e ganhar bem mas, ao mesmo tempo, evitam ocupar cargos altos por ameaçar suas vidas pessoais no intuito de alcançar esses objetivos.

Quem constatou isso foi a empresa de Recursos Humanos Zeno Group, por meio de uma pesquisa com 1000 mulheres universitárias entre 21 e 33 anos. Os dados revelam que apenas 15% delas topariam chefiar uma grande empresa. Nove em cada 10 mulheres alegam que esses cargos exigem mais sacrifícios das mulheres do que dos homens.

Meiry Kamia, psicóloga, consultora organizacional e Diretora da Meiry Kamia - Consultoria, Treinamento e Desenvolvimento de Pessoas, diz que entende a posição das entrevistadas. "Mulheres, nessa idade, pensam em casar e ter filhos, e sabem que a responsabilidade de uma liderança é incompatível com o papel de mãe trabalhadora."

As mulheres que negariam cargos tão promissores sabem que o papel de mãe inclui percalços. O filho fica doente, pode ter febre a noite toda ou com duração de mais de 1 dia, fica internada por um tempo por conta de infecções, algo comum em época de frio e entre crianças que ficam em berçário. Ter filhos demanda tempo que nem sempre elas irão dispor.

"Se pensarmos em circunstâncias normais, em que o filho goza de plena saúde, a rotina de uma mãe trabalhadora já é bastante estressante: acorda mais cedo para preparar a criança, sai de casa mais cedo para deixar o filho na casa de algum cuidador ou berçário e vai trabalhar. Ao final do expediente, sai correndo para buscar o filho no berçário (que tem limite para esperar) e vai para casa para a segunda jornada de trabalho", comenta Meiry.

A palestrante lembra, ainda, que, quando a criança fica doente, normalmente o berçário aciona a mãe e não o pai. É ela quem deve sair correndo do trabalho para buscar o filho. E é nesse momento que a mulher é forçada a escolher o que deseja priorizar naquele momento. E o papel de mãe, na maioria das vezes, fala mais alto.

"Muitas mulheres chegam a deixar o emprego para se dedicarem à criação dos filhos até a idade em que eles se tornam mais independentes. A pressão social e da família falam alto: é aceitável que uma mulher largue o trabalho em prol do filho, mas não é aceitável que ela largue o filho em prol do trabalho", analisa.

Mas, se a mulher tem talento para o cargo, o que as empresas podem fazer para reter esse talento? Uma jornada mais flexível pode ser uma ideia. "Trabalhar com metas é outra opção. Não exige que a pessoa cumpra a jornada de trabalho na empresa e, sim, que entregue resultados. Outras soluções são elaboração de políticas que favoreçam as mulheres e a criação de creche no local de trabalho", sugere Meiry.


Quando essa mudança de pensamento não acontece, a mulher que está disposta a exercer dupla ou tripla jornada acaba se interessando pelo empreendedorismo, já que, dessa forma, ela consegue gerir seu próprio tempo e ser produtiva tanto em casa como no trabalho.

Juliana Falcão (MBPress)

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