Mulheres estão insatisfeitas com contrato formal

Mulheres estão insatisfeitas com contrato formal

De acordo com o levantamento do instituto de pesquisa Data Popular, o número de mulheres satisfeitas profissionalmente é menor entre as contratadas formais. O estudo, intitulado 'Tempo de Mulher', mensurou o índice de satisfação entre o público feminino que atua no mercado de trabalho.

O levantamento do instituto apontou que, das 3 mil entrevistadas em todo o Brasil, apenas 37% estão felizes com o contrato formal. No entanto, o percentual de profissionais autônomas e microempresárias satisfeitas obteve, respectivamente, 50% e 65%.

O sócio-diretor do Data Popular, Renato Meirelles, conta que a diferença nos dados tem explicação. "Esta mudança é uma tendência e deve continuar. Hoje, a mulher valoriza o tempo e a gestão sobre ele. Então, se por um lado, ao optar por um regime informal, elas fiquem à mercê de uma certa instabilidade na renda, por outro, elas ganham flexibilidade para administrar melhor seu tempo", diz Meirelles.

A secretária, Carolina Siqueira, 29, trabalha há 6 anos numa universidade em Santos e reclama da falta de tempo. "Trabalho de segunda a sexta, horário comercial, tenho que resolver minhas coisas particulares hora de almoço. É muito corrido, as vezes nem como direito", conta Carolina. Já a empresária, Maria Souza Correia, 43, diz que trabalhar de maneira informal tem seus prós e contras. "Realmente não me sinto tão presa como na época que trabalhava formalmente. Tenho mais tempos para me dedicar a casa e família. Mas, corro muitos riscos, pois tenho que investir para lucrar e, às vezes, contamos com imprevistos financeiros. Os computadores e impressoras não avisam com antecedência que vão quebrar", explica Maria.


Mulheres poderosas

Segundo informações do Data Popular, não foi apenas o percentual de satisfação que mudou. O número de mulheres que contribuem com a renda familiar também. "As mulheres da classe C passaram a contribuir mais com o total da renda familiar. Para se ter uma ideia, a cada R$ 100 obtidos na classe A, cerca de R$ 25 são de contribuição feminina. Já na classe C, o valor da colaboração das mulheres é de R$ 41. Ou seja, a mulher da classe C ficou mais poderosa", afirma Meirelles, que pela pesquisa também comprovou que os homens não têm noção das angústias, anseios e o pensamento da nova mulher.

"Na avaliação do público masculino, as mulheres são as que mandam mais", conclui. O levantamento analisou a opinião de mulheres nos 26 estados, no segundo trimestre deste ano.

Por Livany Salles

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