Mulherada na Campus Party

Mulherada na Campus Party

Lia Spinola, coordenadora da Retece. Foto/Juliana Lopes

No mundinho dos megabites e da rede, elas também tem vez. Quem passou pelos corredores da Campus Party, maior evento anual mundial de tecnologia que aconteceu na semana passada em São Paulo, notou que as mulheres também mostraram familiaridade com as novas tecnologias.

Sempre presente em palestras e reuniões, a ‘campuseira’ Ana Frank, não só trouxe a sua barraca como o seu PC que permaneceu instalado durante toda a semana no Centro de Exposições Imigrantes. Como integrante do Movimento Feminista, ela percorreu os corredores distribuindo folhetos sobre a Lei Marinha da Penha e conversando com mulheres durante os debates. "Em comparação com os eventos dos outros países, a edição brasileira deste ano foi a que reuniu o maior número de mulheres. Minha função foi ressaltar trabalho delas e mostrar a importância da web para a troca de comunicação a favor dos nossos direitos", disse.

Ana elaborou uma instalação com cartazes sobre as ações do Movimento Feminista. Em um deles há um breve relato sobre Sinhá Moreira, conhecida por criar a primeira escola de eletrônica da América do Sul e apostar no desenvolvimento tecnológico de sua cidade, Ribeirão dos Mosquitos (atual Santa Rita do Sapucaí - MG) isso no início do século 20, em que o país ainda priorizava a atividade agrícola.

Entre uma palestra e outra, ela também divulgava o trabalho da Retece. O projeto faz parte da ONG Instituto Ecotece, que fica no bairro Jardim Santo André (periferia da cidade de São Paulo), e trabalha com o reaproveitamento de materiais têxteis. A maioria deles são transformados em brindes nas mãos das 16 participantes. "Para a Volkswagen, por exemplo, nós usamos camisetas que iriam ser jogadas fora e as colocamos em capas de cadernos, distribuídos depois aos funcionários", conta Lia Spinola, coordenadora da Retece.

Durante a Campus Party, algumas delas participaram do concurso "Descontectados", promovido pela empresa CCE, que foi todo filmado e transmitido pelo site (http://desconectadoscce.posterous.com/). A competição envolveu quatro grupos, todos sem muita familiaridade com a internet. Antes do evento, eles não tinham perfis em redes sociais, nem divulgavam seu trabalho na rede.

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O ganhador seria aquele que fizesse a melhor campanha. O grupo que conseguisse reunir vários seguidores no Twitter e cumprisse as tarefas com a ajuda de campuseiros (chamados através de anúncios no próprio campus) ganharia três mil reais. A Retece não foi a primeira colocada, mas recebeu mil reais, quantia que será revertida ao projeto. "Também viemos com a intenção de fechar parcerias com os patrocinadores. As capinhas que estão em todas as cadeiras devem ser jogadas fora. Já estamos falando com a Telefonica para quem sabe usar esse material e transformá-lo em brindes bacanas", comenta.


A blogueira Nathalia Grun (www.nathy.com.br) veio do Rio Grande do Sul com a intenção de ampliar o seu networking e acima de tudo conseguir divulgar o seu blog por aí. Publicitária, ela foi citada em matérias de grandes portais e ainda participou de uma gravação para o Scrap MTV com a apresentadora Mari Moom. "A gente bateu um papo e fizemos cupcakes, foi muito bacana. Posso dizer que não ganho muito dinheiro com o blog, mas é algo que eu gosto de fazer e quem sabe pode render bons frutos mais para frente", finaliza.

Por Juliana Lopes

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