Mulher em destaque na ciência

Mulheres em destaque na ciência

Divulgação.

Muitos cientistas, químicos e biólogos são hoje fundamentais para o desenvolvimento da medicina e de tecnologias que melhorarão a saúde de todos. Beatriz Dolabela de Lima é uma dessas pessoas que será a responsável pela mudança na história de muita gente.

Atual chefe do Departamento de Biologia da Universidade de Brasília, Beatriz sempre teve um interesse por áreas básicas de ensino, como matemática, física e, claro, biologia e, graças a uma irmã, optou pela profissão que tem hoje. "Na época ela, já formada em Biologia, me mostrou como a ciência é interessante e empolgante", relembra a cientista.

Beatriz é responsável pela criação e desenvolvimento de um projeto que ajudará muitas pessoas em um futuro próximo. Ela, juntamente com uma equipe da UnB, desenvolveu uma tecnologia inovadora capaz de produzir insulina humana a partir de uma bactéria. E isso é um grande avanço para o país.

"Antes do desenvolvimento desse sistema, a produção era realizada no Brasil pela purificação da insulina de pâncreas suíno e bovino, transformada em insulina humana em laboratório. Assim, com o desenvolvimento do sistema em bactéria, a produção é realizada independente da obtenção de pâncreas, ou seja, livre de flutuações de mercado e entressafras".

O projeto se transformou na tese de doutorado de Beatriz e, mais do que isso, agora, quem tem diabetes, pode ter mais uma possibilidade de tratamento. Atualmente, a insulina disponível no Brasil é totalmente importada, mas com esse novo método de produção, Beatriz acredita que muitos benefícios virão. "Com o início da produção aqui, teremos, além da disponibilidade imediata do medicamento, o custo diminuído em médio prazo, pela produção local e competição com as multinacionais produtoras de insulinas", anima-se. A novidade está prevista para 2010.

Além do mais, essa insulina pode ser produzida através de um micoorganismo do nosso próprio corpo, facilitando a produção e diminuindo a probabilidade de rejeição. "A insulina produzida pela fermentação em bactéria, por ser produzida diretamente em uma bactéria da nossa microbiota [conjunto de microorganismos vivos que habitam diversas regiões do corpo] e ser já produzida 100% humana, tem um nível maior de segurança e menor de alergenidade do que as extraídas de pâncreas bovino e suíno", esclarece a profissional.


Beatriz afirma que, para ela e muitos outros pesquisadores, o verdadeiro objetivo que os impulsiona a continuar sempre abrindo novos horizontes é o prazer de ajudar outras pessoas - e não somente o fato de pesquisar. "A possibilidade de uma contribuição efetiva na qualidade de vida é um dos pontos mais importantes que nos incentivam na pesquisa. Assim, cada projeto que resulta em uma mudança em algum aspecto da sociedade é uma satisfação que nos motiva", encerra.

Por Tissiane Vicentin (MBPress)

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