Motivos para romper com os modismos corporativos

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Foto: Monalyn Gracia/Corbis

Caras leitoras, não é de hoje que viver no mundo empreendedor ou corporativo traz consigo o inevitável convívio com o surgimento recorrente de modismos corporativos.

Invariavelmente mais férteis na sua multiplicação do que a geração de caixa de algumas empresas, os modismos corporativos atingem como uma flecha o objetivo de promover e eventualmente enriquecer seus criadores, independentemente dos resultados concretos resultantes de sua aplicação.

Nascem no desespero da necessidade de se produzir um clima de aparente renovação de gestão, amparadas pelo vazio de ideias e soluções próprias e verdadeiramente inovadoras, mas muitas vezes o ato de trazê-las para o cotidiano das empresas está diretamente ligado a urgência em se solucionar problemas tão contundentes quanto a realidade (muitas vezes constatadas) de sua inutilidade.

Mas esse não é o principal problema, e é menor do que alguns efeitos colaterais.

Vamos lá:

1. Importar modismos, sejam eles originários na empresa vizinha, nos concorrente, parceiros ou de algum guru de última ou primeira hora, geralmente implicam no consciente coletivo da equipe, com a constatação de que aquele grupo de profissionais é incapaz de produzir as suas próprias soluções. Isso pode reforçar um clima corporativo de descrença nas próprias capacidades;2. A aceitação cega de sua chegada, e a eventual repressão aos pensamentos discordantes podem desencorajar o processo criativo interno;3. Implantar práticas de gestão tidas como absolutamente coerentes apenas por conta do seu appeal, deixando de lado qualquer estudo de aderência operacional ou de viabilidade podem resultar em uma retumbante perda de tempo e de dinheiro;4. O espírito inovador e criativo de uma empresa nasce e se sustenta na maioria das vezes, diante de adversidades, complicações e desafios. Quando ele morre ou definha diante da fácil importação de soluções mágicas e aparentemente imbatíveis, padece também a própria empresa e sua fertilidade para a inovação;5. Quando o senso crítico de uma empresa morre, sua equipe infantiliza, e mais e mais modismos podem ser incorporados tornando o cotidiano corporativo em um inferno chato e cansativo, espantando talentos e gente de alto potencial que não estão dispostos a desperdiçar tempo e habilidades em um ambiente tão sem propósito.

Os motivos para romper com essa prática não param por aqui, e é sempre bom lembrar que produzir as próprias saídas com personalidade e luz própria não tem preço.

Até o próximo!

Gustavo Chierighini, fundador da Plataforma Brasil Editorial, empresa que atua como uma agência independente na produção de conteúdo e informação.

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